O tomate é, mais uma vez, o vilão da cesta básica em Curitiba. O quilo do produto passou de R$ 0,99, em média, em abril para R$ 1,74 em maio – ou seja, aumento de 75,76%. A alta do tomate, registrada em 12 das 16 capitais pesquisadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), fez com que a cesta básica apresentasse em maio índice de 4,16% em Curitiba – a maior alta desde março de 2003, quando a variação foi de 5,47%. Com isso, o acumulado no ano – que até abril era de deflação de 1,82% – passou a ter variação positiva de 2,26%. Já o acumulado de 12 meses é de -0,45%. Os números foram divulgados ontem pelo Dieese, regional Paraná.

“Se não fosse o aumento do tomate, a cesta teria queda de 0,18% em maio”, revela o coordenador do Dieese-PR, Adílson Stuzata. Entre os fatores que influenciaram a alta do produto estão a alteração do clima, dificuldade da colheita e de escoamento da produção. A maior parte do tomate consumido em Curitiba vem de São Paulo e Minas Gerais.

Com os dados de maio, a cesta básica de Curitiba passa a ser a terceira mais cara do País, a R$ 162,79, atrás de Porto Alegre (R$ 181,17) e São Paulo (168,68). Para uma família curitibana (um casal e duas crianças), a ração alimentar essencial, composta por 13 itens, custou no mês passado R$ 488,37. Em abril, o custo era de R$ 468,87. O salário mínimo necessário para suprir necessidades como moradia, alimentação, educação, saúde, entre outros, deveria ser de R$ 1.522,01.

Outro item que pesou na cesta básica do curitibano foi a batata, com variação de 11%. Caso o preço dos dois produtos tivesse se mantido, a cesta registraria deflação de 0,60%, informou Sandro Silva, economista do Dieese-PR. “Apesar de não ter geado, a chuva prejudicou muito a colheita e escoamento, com o aumento do custo do produto”, explicou Silva. Segundo ele, se a chuva persistir, a tendência é que os preços continuem subindo. Para junho, a previsão é de nova alta na cesta, “a não ser que ocorra uma reversão drástica no preço do tomate e da batata, o que é difícil acontecer”, salientou Sandro Silva.

Outros produtos que puxaram a alta da cesta básica foram o açúcar (6,41%), farinha de trigo (5,73%), manteiga (4,13%), feijão (2,53%), leite (0,94%) e carne (0,92%). Na outra ponta, apresentaram queda a banana (-13,01%), arroz (-10,55%), pão (-0,25%) e café (-0,21%). O preço do óleo de soja permaneceu estável.

Cenário nacional

A cesta básica em Curitiba teve em maio a quinta maior variação entre as 16 capitais pesquisadas. A maior alta foi registrada em Porto Alegre (10,44%), seguida por Florianópolis (9,14%), Belo Horizonte (5,46%) e Rio de Janeiro (4,67%). Conforme levantamento do Dieese, a região Centro-Sul foi a mais afetada pelo aumento dos produtos, especialmente do tomate e da batata. Em Florianópolis, por exemplo, o tomate subiu 147,44%, enquanto em Porto Alegre, 86,16%. Das 16 capitais, 11 apresentaram alta da cesta básica em maio e cinco, queda. No acumulado do ano, apenas Aracaju apresenta deflação (-0,54%), enquanto as demais capitais apresentam alta que variam de 2,26% (Curitiba) a 7,57% (João Pessoa).

Comércio registrou aumento nas vendas

O comércio paranaense apresentou desempenho positivo no primeiro trimestre do ano, com aumento de 2,08% no nível de emprego e 10,92% nas vendas no varejo. Os números são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged/Ministério do Trabalho) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e foram divulgados ontem pelo Dieese-PR.

No acumulado do ano (janeiro a março), o comércio gerou 7.655 empregos no Paraná, sendo 72,15% deles no interior. O número estimado de trabalhadores com carteira assinada no comércio é de 375.143, representando 7,25% do contingente total do comércio a nível nacional (5.176.095).

Os segmentos que apresentaram as maiores variações no nível de emprego no primeiro trimestre foram: no comércio varejista, os produtos agropecuários ?in natura?(11,26%), intermediários no comércio (6,76%) e produtos intermediários não-agropecuários (4,22%); no comércio varejista, os destaques são as lojas não especializadas (11,20%), reparação de objetos pessoais e utilidades domésticas (3,88%) e lojas especializadas em produtos novos (2,35%). Já nas vendas, manutenção e reparação de automotores, vale destacar o desempenho das vendas, manutenção e reparação de motocicletas (5,17%) e a venda no varejo e atacado de peças e acessórios para veículos (3,78%).

Tendência nacional

Segundo o supervisor técnico do Dieese-PR, Cid Paraná, o bom desempenho do comércio paranaense segue uma tendência nacional. Enquanto no Paraná o número de emprego passou de 2.874 (primeiro trimestre de 2003) para 7.655, com incremento de 166%, no Brasil, o número passou de 5.716 para 35.425 no mesmo período, ou seja, aumento de 519,75%. “Os dados mostram a retomada do crescimento da economia. O mercado interno está começando a reagir”, aponta Cordeiro.

Em relação às vendas, a variação no ano registrada no Paraná (10,92%) foi maior do que o desempenho nacional (7,48%). Além do aumento no volume de vendas, também houve alta do faturamento -10,71% no ano e 16,25% nos últimos 12 meses, índices superiores à inflação. Em volume de vendas, os segmentos que apresentaram os melhores resultados foram móveis e eletrodomésticos (21,61%), tecidos, vestuário e calçados (13,96%), combustíveis e lubrificantes (9,53%) e hiper e supermercados (6,98%).