Foto: Fábio Alexandre/O Estado

Sandro Silva, do Dieese: grande parte dos produtos vem de fora.

O preço da cesta básica caiu 3,86% em Curitiba no mês de junho. Foi a segunda queda consecutiva – em maio, a variação havia sido de -3,55% – e a segunda maior queda no ano. Com este resultado, a cesta básica acumula no primeiro semestre recuo de 9,72% e, nos últimos 12 meses, queda de 5,15%. Os dados foram divulgados ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos, regional Paraná (Dieese).

Dos 13 itens que compõem a cesta básica, nove registraram redução nos preços em Curitiba, com destaque para a batata (-15,79%) e o tomate (-32,77%). No caso da batata, o quilo passou de R$ 1,33, em média, em maio, para R$ 1,12. Já o preço do tomate caiu de R$ 1,77 para R$ 1,19, em média. De acordo com o economista do Dieese-PR, Sandro Silva, tanto um como outro estão em período de safra. ?Grande parte do impacto negativo nos preços vem dos produtos de fora, como Minas Gerais e São Paulo. Além disso, os dois itens vinham com preços altos?, apontou o economista. Em abril, o quilo do tomate chegou a custar R$ 2,14, enquanto a batata era vendida a R$ 2,13 em janeiro.

A queda de preço dos dois produtos foi generalizada. Das 16 capitais pesquisadas pelo Dieese, 14 registraram redução no preço do tomate, com destaque para Vitória (-46,8%). Curitiba ocupou a quarta posição (-32,77%). No caso da batata, das nove capitais pesquisadas, sete tiveram recuo nos preços, sendo que Curitiba registrou a maior redução.

De acordo com Sandro Silva, caso o preço dos dois produtos tivesse permanecido estável, ao invés de deflação, a cesta básica teria registrado pequena variação de 0,04%.

Outros itens que registraram recuo nos preços em junho foram a farinha de trigo (-5,95%), o feijão (-4,69%), o pão (-2,90%), a manteiga (-2,88%), o açúcar (-2,44%), o café (-2,08%) e o óleo de soja (-0,98%). Já as altas foram verificadas na carne (2,67%), na banana (1,76%) e no arroz (1,47%). O preço do leite permaneceu estável. A alta da carne, lembrou o economista do Dieese-PR, é típica nesta época do ano. ?O frio chegou mais cedo e a estiagem pode estar refletindo no preço da carne?, observou Sandro Silva.

Custo

A cesta básica encerrou junho com o custo de R$ 159,72 em Curitiba. Assim, a alimentação para uma família composta por um casal e duas crianças custou R$ 479,16, segundo levantamento do Dieese-PR.

Na comparação com outros estados, Curitiba registrou a sexta cesta mais cara do País, atrás de São Paulo (R$ 172,31), Porto Alegre (R$ 168,33), Rio de Janeiro (R$ 165,07), Brasília (R$ 163,52) e Belo Horizonte (R$ 159,97). A mais barata foi verificada em Aracaju (R$ 134,25).

Com relação à variação, das 16 capitais pesquisadas, 14 registraram queda no preço da cesta em junho. Curitiba registrou a quinta maior queda (-3,86%), atrás de Vitória (-6,76%), Natal (-4,92%), Salvador (-4,20%) e Recife (-4,01%). As duas capitais com aumento nos preços dos alimentos foram Fortaleza (2,55%) e Belém (0,24%).

Já no acumulado do primeiro semestre de 2006, a cesta básica teve redução de preços em 11 capitais. As reduções mais significativas foram encontradas em Porto Alegre (-12,01%), Curitiba (-9,72%) e Belo Horizonte (-9,56%).

Salário mínimo

Com base no maior valor apurado para a cesta, de R$ 172,31, em São Paulo, e levando em consideração o preceito constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para garantir as despesas familiares com alimentação, moradia, saúde, transportes, educação, vestuário, higiene, lazer e previdência, o Dieese calculou que o mínimo deveria ser de R$ 1.447,58, que corresponde a 4,14 vezes o piso vigente, de R$ 350.

O Dieese salientou que, com a predominância de queda no custo dos gêneros essenciais, o tempo de trabalho necessário para a aquisição da cesta básica, na média das 16 capitais, apresentou ligeira redução em relação a maio. Desta maneira, em junho, o trabalhador brasileiro que ganha salário mínimo precisou cumprir uma jornada de 96 horas e 4 minutos, enquanto em maio eram exigidas 98 horas e 49 minutos. Em junho de 2005, a mesma compra necessitava de 20 horas de trabalho a mais: 116 horas e 49 minutos.

Preços de artigos de limpeza e higiene tiveram queda de 1,93%

Os preços de artigos de limpeza e higiene caíram 1,93% em junho na comparação com maio em Curitiba. O levantamento é do Dieese-PR, em parceria com a Federação dos Empregados em Empresas de Asseio e Conservação do Paraná (Feaconspar). Em maio, a queda havia sido de 0,21% na comparação com abril.

Entre os artigos de limpeza, que registraram redução de 1,35% nos preços, os itens que mais contribuíram para o recuo foram o sabão em pó, com queda de 5,94% – o preço médio caiu de R$ 5,24 para R$ 4,93 -, seguido pela esponja de louça, cujo preço caiu 1,69% – de R$ 2,23 em maio para R$ 2,20 em junho. Já as altas mais expressivas ficaram por conta do Amaciante Comfort (de R$ 5,48, em média, para R$ 5,92) e o sabão em barra Minerva com cinco unidades – de R$ 3,58 para R$ 3,71.

Já os artigos de higiene registraram queda de 2,34% nos preços, com destaque para o papel higiênico Personal, com oito rolos, que passou de R$ 3,48 para R$ 3,21 (redução de 7,68%).

De acordo com o economista do Dieese-PR, Sandro Silva, como a pesquisa ainda se encontra em fase inicial, é difícil apontar por que os preços de alguns itens vêm caindo. ?A gente ainda não tem interpretação clara do que está acontecendo. Pode haver queda de preço em determinada época do ano (efeito sazonal) ou mesmo a influência de promoções?, afirmou.

Diferença de preços

Além da comparação dos preços com o mês anterior, o Dieese-PR e a Feaconspar pesquisam a diferença de preços de um mesmo produto entre um estabelecimento e outro. E o resultado é gritante: no caso da água sanitária Qboa, o menor preço foi encontrado a R$ 0,98 e o maior a R$ 2,72 – diferença de 177,55%. No caso da esponja de aço Bombril, o preço variou entre R$ 1,67 o pacote e R$ 3,30 – diferença de 97,60%. O Dieese-PR faz pesquisa de preços em 16 supermercados de Curitiba de diferentes redes.