Com um acréscimo de 6,65% nos preços em um mês, a carne foi determinante no significativo aumento no valor da cesta básica curitibana em setembro. De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o conjunto de produtos essenciais ao consumo de um trabalhador passou a custar R$ 219,28 na capital paranaense, aumentando 2,2% em relação a agosto.

No ano, a cesta acumula aumento de 3,51% e vai se aproximando do índice oficial de inflação, que fechou agosto em 4,29%. Em 12 meses, o aumento é de 2,34%.

O índice positivo de setembro veio depois de quatro meses seguidos de queda na cesta, período em que houve baixa acumulada de mais de 10%. A alta do mês passado, porém, acompanhou uma tendência nacional, observada em 14 das 17 capitais pesquisadas.

A variação em Curitiba foi a sexta maior do País, e deixou a capital com a sétima cesta mais cara do Brasil. O maior valor está em Porto Alegre (R$ 243,73) e o menor, em Aracaju (R$ 173,56).

A variação observada na carne, em setembro, mantém o produto como o que mais subiu no ano, em Curitiba: 15,1%. Para comprar o que o Dieese considera necessário para o consumo de um mês (6,6 quilos), foram necessários, no mês passado, cerca de R$ 91, quase 18% do salário mínimo. A pesquisa leva em conta o coxão mole, o coxão duro e o patinho.

Os aumentos na carne, no entanto, não vêm sendo surpreendentes. Em agosto, quando a pesquisa da cesta básica já detectava um aumento de 1,24%, produtores e entidades como a Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) já apontavam a tendência de alta na carne, causada por fatores como a estiagem e a redução dos rebanhos.

O economista Sandro Silva, do Dieese, menciona os mesmos motivos. Para ele, os rebanhos menores são reflexo da crise, que fez com que outros países comprassem menos carne do Brasil.

Já a estiagem reflete no preço final da carne por aumentar o custo de produção: com o pasto mais raro, os criadores têm que complementar a alimentação do gado com ração.

Trigo

O produto que teve o segundo maior aumento em setembro foi a farinha de trigo, que aumentou 6,38%, depois de ter passado por uma baixa de 2,08% em agosto.

“Estamos em época de safra de trigo, mas há queda na produção em relação ao ano passado. Aí é preciso importar, e o produto encarece”, explica Silva, lembrando que o aumento já reflete no preço do pão: o produto, que já tinha ficado 2,5% mais caro em agosto, teve novo aumento, de 2,63%, no mês passado.

Entre os aumentos, Silva também destaca o óleo de soja (4,23%), cujos preços já vêm subindo desde julho, devido à entressafra, e o açúcar, que apesar de ter aumentado pouco (0,58%), pode estar mudando a tendência de baixa que vinha sendo observada entre abril e agosto, quando acumulou queda de 28,45% nos preços. Uma das causas já pode ser uma redução na oferta do produto.

Por outro lado, três produtos tiveram quedas importantes nos preços: a banana (-4,14%), o tomate (-4,62%) e a batata (-6,71%). Os dois últimos vêm passando por sucessivos decréscimos: o quilo do tomate, que custava R$ 2,37 em junho, passou para R$ 1,65 em setembro (30% de queda). O quilo da batata despencou ainda mais, passando de R$ 3,44 em maio para R$ 1,39.