Após uma estabilidade de preços em janeiro, a cesta básica em Curitiba teve aumento em fevereiro. De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que divulgou ontem sua última medição, o conjunto de produtos essenciais para alimentação de uma pessoa, durante um mês, na capital, passou a R$ 215,61, aumentando 1,71% em relação ao mês anterior, quando a variação tinha ficado em apenas 0,07%.

Nos últimos 12 meses, a cesta ainda acumula baixa, de 5,59%, em relação ao período imediatamente anterior. O produto da cesta básica que mais encareceu em fevereiro, em Curitiba, foi o tomate.

Os preços do item subiram 17,18%, mas a alta veio logo após uma forte baixa de 29,44% em janeiro. O açúcar também passou por um acréscimo considerável (14,51%), que leva a uma alta acumulada de 16,93% no ano e 75,40% nos últimos 12 meses período em que o produto foi o que mais aumentou entre os essenciais.

O leite, que no primeiro semestre do ano passado passou por uma forte inflação, também aumentou em fevereiro (4,85%) e já acumula alta de 9,49% só nos dois primeiros meses do ano.

Nos últimos 12 meses, entretanto, a variação dos preços do produto é de apenas 0,58%. Outro item que mereceu destaque entre os aumentos, em fevereiro, foi o arroz, que subiu 4,68%.

Para o economista Sandro Silva, do Dieese, o aumento no preço do tomate, que aconteceu em 14 das 17 capitais brasileiras pesquisadas, foi causado pelo clima, que vem afetando a safra. “As chuvas de fevereiro causaram perda de produtividade e reduziram a oferta”, explica.

Já em relação ao açúcar, Silva esclarece que a alta ainda se deve ao período de entressafra, que está no fim, somada a uma cotação internacional elevada e a um aumento nas exportações brasileiras do produto. Segundo ele, como a nova safra, que normalmente inicia em abril, foi antecipada para março, a tendência para este mês é de baixa nos preços.

Quanto ao leite, Silva acredita que a alta também se deva aos problemas climáticos. O economista lembra que as chuvas prejudicam as pastagens e fazem com que os produtores tenham que complementar a dieta das vacas com ração, encarecendo, assim, o custo da produção e reduzindo a oferta.

Comparação

O índice da cesta básica obtido em Curitiba foi o sexto menor entre as 16 cidades que tiveram taxas positivas. Os maiores aumentos foram em Recife (6,84%), Salvador (6,71%) e Belo Horizonte (5,26%). O único município que teve baixa nos preços foi Goiânia (-4,55%).

A capital paranaense tem a nona cesta mais cara do País, mas o valor é mais baixo que em todas as capitais das regiões Sul e Sudeste. O maior preço do Brasil é o registrado em Porto Alegre (R$ 238,46), e o menor em Aracaju (R$ 169,57).

Para março, Silva aponta uma tendência de queda em alguns produtos. Além do açúcar, o arroz e o feijão, por exemplo, também devem baratear devido ao início das safras.

Há, porém, incerteza em relação a produtos mais sensíveis ao clima, como o tomate e a batata. Assim, o economista conclui que a maior possibilidade é que este mês feche com nova alta na cesta básica.

Salário mínimo de R$ 2.003,30

Redação

A cesta básica mais barata entre as capitais foi encontrada em Aracaju, com valor de R$ 169,57. Já a mais cara foi encontrada em Porto Alegre, com custo de R$ 238,46.

Com base no valor da cesta básica da capital gaúcha, o Dieese calculou que o salário mínimo deveria estar (em fevereiro) em R$ 2.003,30, ou 3,92 vezes o valor do atual (R$ 510), levando-se em conta a determinação constitucional segundo a qual o salário mínimo deveria suprir as despesas de um trabalhador e da família com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.

Em janeiro, o mínimo calculado pelo Instituto ficou  em R$ 1.987,26, 3,9 vezes  o atual mínimo. Em fevereiro de 2009, o cálculo projetava um salário de R$ 2.075,55, ou seja, 4,46 vezes o mínimo da época (R$ 465).