Novamente pressionada pelo tomate, a cesta básica de Curitiba registrou alta de 2,22% em novembro. Com a terceira elevação mensal consecutiva, o custo da alimentação básica para o trabalhador curitibano passou para R$ 159,15, o que equivale a R$ 5,31 por dia. No ano, a cesta básica subiu 4,58%, o menor percentual desde 99, mas só nos últimos três meses houve incremento de 7,38%. Nos últimos doze meses, a variação acumulada é de 5,64%.

Entre as 16 capitais pesquisadas pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos), 14 tiveram aumento de preços no mês passado. Curitiba registrou a sétima maior alta. A maior variação foi a de Aracaju (4,47%). Com queda, ficaram Natal (-2,97%) e Florianópolis (-0,66%). Em valor absoluto, a cesta de Curitiba caiu de terceiro para quarto lugar. A mais cara é a de Porto Alegre (R$ 167,69) e a mais barata, a de Recife (R$ 127,59). Em novembro, a cesta básica consumiu 71,81% do salário mínimo líquido e 66,31% do bruto.

Pelos cálculos do Dieese, o salário mínimo necessário deveria ser R$ 1.408,76. Esse valor é levantado conforme determina a Constituição, no artigo 7, capítulo IV, que define o salário mínimo como capaz de atender as necessidades vitais básicas do trabalhador e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social. Para uma família curitibana (casal e dois filhos), o custo da ração alimentar mínima foi de R$ 477,45, o que significa 1,99 salários mínimos.

Produtos

Dos 13 itens que fazem parte da cesta básica, sete aumentaram de preço em novembro. De acordo com o economista Sandro Silva, do Dieese, as altas de 18,03% no tomate e de 14,29% na batata estão relacionadas ao movimento sazonal de redução de oferta. Em dois meses, o tomate subiu 63,6%. “Com o início da colheita da safra do Paraná, a tendência é estabilizar ou ter uma pequena queda já em dezembro”, comenta. Já a batata voltou a subir após cinco meses seguidos de queda (-60,7%). Outro produto com alta foi a banana (12,05%). “A queda do câmbio permitiu a retomada das exportações para Argentina e Uruguai”, destaca Silva.

O aumento de 9,24% no óleo de soja foi atribuído à elevação da cotação internacional e à entressafra da soja. De abril a outubro, o preço do óleo tinha caído 22,7%. A farinha de trigo, que acumulava queda de 24,6% de janeiro a outubro, também voltou a subir (4,04%), em função da entressafra e intensificação das importações. Ainda com alta, aparecem o arroz (2,65%) e o pão (0,74%). O preço do leite ficou estável.

A maior queda foi verificada na manteiga (-8,68%). Segundo o economista do Dieese, a redução foi influenciada pelo repasse tardio das quedas no óleo de soja e no leite. Também ficaram mais baratos: açúcar (-1,69%), feijão (-1,56%), café (-1,31%) e carne (-0,13%). “Caso os preços do tomate, da batata e da banana tivessem ficado estáveis, a cesta básica de Curitiba teria apresentado queda de 0,40% em novembro”, apontou Silva.

No ano, os produtos que mais subiram em Curitiba foram: banana (41,98%), tomate (27,43%) e arroz (23,57%). As maiores reduções foram registradas na batata (-22,33%), farinha de trigo (-21,71%) e açúcar (-17,14%).

Fechamento

Para dezembro, os técnicos do Dieese projetam novo índice positivo na cesta básica. Com isso, o acumulado no ano deve ficar abaixo de 8%, conforme o economista. Menos que o desempenho dos dois últimos anos: 16,46% (2002) e 19,78% (2001), porém acima dos resultados de 2000 (5,08%) e 1999 (7,96%).

Agroindústria puxa indicadores positivos

Dos 26.939 empregos industriais com carteira criados de janeiro a setembro de 2003, 67% (cerca de 18 mil) foram gerados pela agroindústria. 89,47% das vagas (26.939) foram abertas no interior do Estado, que registrou incremento de 8,78% no nível de emprego. Na Região Metropolitana de Curitiba, foram criadas 2.837 postos de trabalho, representando aumento de 2,11%. Os setores industriais que mais ampliaram vagas foram: alimentos e bebidas (13.507 empregos), têxtil e vestuário (4.201) e madeira e mobiliário (3.122). No Paraná, o nível de emprego com carteira aumentou 6,59%.

“A agroindústria e as exportações estão puxando o bom desempenho do emprego na indústria paranaense”, destaca o economista Cid Cordeiro, supervisor técnico do escritório regional do Dieese. As exportações da indústria estadual avançaram 27,74% de janeiro a setembro, comparado ao mesmo período do ano passado. A produção industrial do Estado cresceu 2,77% no acumulado do ano. Cordeiro estima que a indústria paranaense feche o ano com alta de 4% na produção. Se confirmado, será o melhor índice dos últimos anos: 2,76% em 2002, 3,75% em 2001 e -0,59% em 2000.

Embora as vendas reais registrem queda de 12,79% até setembro, as compras reais acumulam 9% de incremento no período. A folha de pagamento real média por trabalhador também está negativa em -8,07%, porém a expectativa de reversão do quadro, segundo Cordeiro, se baseia na elevação de 0,91% no número médio de horas pagas. “Isso dá condições de aumento real em 2004”, pondera o economista.