O Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) começa a divulgar a partir deste mês a variação mensal do custo de uma “cesta nutricional” para famílias residentes em Curitiba. A cesta é composta por produtos que atendem as necessidades nutricionais mínimas para uma família composta por quatro pessoas: dois adultos, um adolescente e uma criança.

A cesta nutricional do Ipardes é formada por 33 produtos e foi orçada, no mês de junho, em R$ 433,43. Ela é composta por cereais e derivados, tubérculos, raízes e amilácios, açúcares, doces, leguminosas, verduras, frutas, carnes, ovos, leite e derivados, gorduras, café e infusões e condimentos.

A pesquisa desenvolvida para se chegar à cesta nutricional foi realizada pelo Ipardes sob orientação do Centro Colaborador de Alimentação e Nutrição da Região Sul (Cecan-Sul) e Departamento de Nutrição da Universidade Federal do Paraná. Serviu como base o “Estudo Multicêntrico sobre Consumo Alimentar” da parceria entre o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Alimentação (NEPA), o Ministério da Saúde, a Universidade Estadual de Campinas, a Universidade Estadual do Rio de Janeiro, a Universidade Federal do Paraná, Universidade Federal de Ouro Preto e Universidade Federal de Goiás.

A preocupação com a segurança alimentar e a composição adequada no consumo diário foram os pilares para que o Ipardes desenvolvesse esta pesquisa. O coordenador da pesquisa, Francisco Castro, informa que a cesta também leva em consideração os hábitos de consumo da população de Curitiba, a qual é verificada pelos resultados da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), realizada a cada cinco anos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Esperamos contribuir para que as famílias tenham uma referência quanto ao valor de uma cesta de alimentos equilibrada para a saúde, indicando produtos que façam parte do hábito de consumo dos curitibanos. Ela também pode ser uma referência para a composição das cestas distribuídas pelas empresas aos seus funcionários”, explicou Castro.

Para calcular a variação de preços da cesta nutricional, o Ipardes utiliza a mesma metodologia do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) – pesquisa que mede a inflação em Curitiba – desenvolvida e realizada pela instituição desde 1973.

Segurança alimentar

Dados sobre insegurança alimentar no Brasil demonstram que a má qualidade na alimentação leva à desnutrição e no outro extremo ao aumento significativo nos índices de obesidade.

Levantamento feito em 2006, pela Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher, do Ministério da Saúde, mostrou que a prevalência de obesidade estimada para o conjunto das mulheres brasileiras entre 15 e 49 anos de idade foi de 16%, variando de 12,8%, na região Norte, a 19,4%, na região Sul.

A menor prevalência de Insegurança Alimentar grave é apresentada por mulheres entre 20 e 24 anos (3,6%), sendo mais alta nas adolescentes (5,1%) e nas de 40 anos ou mais (5,8% e 5,9%).

A pesquisa também mostra que nos domicílios onde havia algum morador inscrito em programas sociais de transferência de renda (TR), o percentual de insegurança alimentar foi superior aos demais domicílios, sendo mais grave em domicílios urbanos com recebimento de TR (37,1% versus 31,3% nos domicílios rurais).