Lavoura de trigo é uma das mais atingidas.

As chuvas que vêm atingindo o Paraná nesta semana já começaram a prejudicar a colheita dos cereais de inverno, segundo relatório divulgado ontem pelo Deral (Departamento de Economia Rural) da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento. No caso do trigo cerca de 45% das lavouras estão nas fases de maturação e colheita, consideradas suscetíveis ao excesso de umidade. “Há indicativos de quebra na produção e de perda na qualidade das lavouras de trigo devido às chuvas”, informou a engenheira agrônoma Margorete Demarchi, do Deral.

De acordo com o Deral, o volume de chuvas que vem ocorrendo também começa a prejudicar o plantio da safra de verão 02/03. Nesta safra, foram plantadas, até o momento, cerca de 50 % das lavouras de batata, 38 % de feijão e 11 % de milho. No ano passado, no mesmo período, as lavouras de batata águas, feijão e milho encontravam-se, respectivamente, com 72 %, 50 % e 20 % da área semeada. “Portanto já se configura um atraso no período normal de plantio dessas culturas”, comenta Margorete.

Os agricultores estão preocupados com as conseqüências do El Niño. Segundo informações divulgadas pelo Instituto Tecnológico Simepar (Sistema Meteorológico do Paraná), as previsões climáticas para os próximos três meses são de que a partir de outubro o clima do Paraná deverá ser afetado pelo fenômeno El Niño, cujo principal efeito é um aumento na freqüência de chuvas intensas, vendavais e elevação brusca nas temperaturas. Neste ano, o El Niño começou a se consolidar a partir de junho e vigorará até abril de 2003. A intensidade desse fenômeno deverá ser de fraco a moderado, conforme o Simepar.

Os efeitos do El Niño foram intensos, no Estado do Paraná, nas safras de inverno 96/97 e de verão 97/98. O volume excessivo de chuvas acabou provocando prejuízos de R$ 57,15 milhões na safra inverno, principalmente na cultura do trigo, cuja quebra na produção foi de 17%.

Com relação à safra de verão 97/98, as culturas mais prejudicadas foram algodão, batata das águas, feijão das águas, fumo, milho normal e soja, que juntas acumularam prejuízos de R$ 179,54 milhões.