Brasília (AG) – A clonagem de celulares no país é um problema tão grave que as operadoras pretendem se reunir esta semana para adotar uma ação conjunta e pedir ajuda à Polícia Federal. As operadoras de celular não revelam os números por questão de segurança, mas pelos dados da Tele Centro-Oeste Celular (TCO), que opera em seis estados e no Distrito Federal, pode-se ter idéia da dimensão que a clonagem está tomando no país. Segundo o diretor de Engenharia da TCO, Sergio Ascenço, até novembro do ano passado, eram clonados de oito a dez aparelhos por mês. Este ano, a média já pulou para cerca de 200 clonagens por mês.
 O diretor explicou que, em 95% dos casos, a clonagem é feita nos aeroportos do Rio e de São Paulo, quando os passageiros desembarcam e ligam os celulares. Segundo Ascenço, no momento em que o celular visitante é ligado, ele informa à operadora local quais são o número interno do aparelho e o do assinante. É nesta hora que os clonadores copiam as informações para usá-las em outro aparelho.
Uma das dificuldades para punir a clonagem de celular é a falta de uma legislação específica sobre o assunto no país. Desde 1994, os EUA contam com uma lei que estabelece multa de até US$ 50 mil e 15 anos de prisão para quem fizer alterações fraudulentas em equipamentos e instrumentos de telecomunicações.
Esta semana, deverá ser votado na Câmara um projeto de lei, de autoria do deputado Luiz Piauhylino (PSDB-PE), que prevê multa e detenção de até seis anos para quem cometer crimes eletrônicos. Uma emenda ao projeto prevê as mesmas punições para a clonagem de celular e de cartão de crédito.
Piauhylino, por sinal, foi vítimas de clonadores. Há cerca de um mês o deputado recebeu em sua casa uma conta de mais de R$ 2 mil de um celular que não estava usando. Ao reclamar na operadora, foi informado de que seu aparelho fora clonado e que o assunto estava sendo investigado.
Casos de clonagem de celular não faltam em Brasília, e o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) é uma das vítimas mais freqüentes. Nos últimos 18 meses, ele teve seu celular clonado oito vezes. A última foi há três semanas e decisiva para que começasse a adotar as recomendações da TCO, de quem é cliente. Suplicy disse que normalmente a clonagem de seus celulares aconteceu em São Paulo.
?A empresa recomenda que, se possível, não devo usar o celular no aeroporto. Só que, às vezes, eu preciso muito usar logo o telefone quando desembarco?, disse o senador.
O gerente antifraude do Comitê Gestor de Roaming, que reúne as operadoras de celular, Érico Curt Hoeper, disse que existe um Sistema Nacional Antifraude. Todas as ligações feitas de um celular em roaming (fora da área local) são registradas por este sistema, que envia as informações para as empresas. Ele disse que as próprias operadoras detectam se houve a clonagem, quando verificam que duas ligações foram feitas do mesmo aparelho com uma pequena diferença de horário, de cidades distantes uma da outra.

Para o ministro das Comunicações, Juarez Quadros, a clonagem é uma questão de polícia, embora ele afirme que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) tem que estar atenta. Por isso, lembrou ele, os equipamentos usados pelas empresas e os aparelhos celulares são certificados pela agência.