O economista-chefe da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco, disse hoje que a atividade industrial ainda se ressente da falta de dois vetores importantes para sua recuperação: o aumento das exportações e dos investimentos. “Houve melhora na utilização da capacidade instalada, mas a queda nas exportações e a retração nos investimentos também não foram revertidas. A recuperação da utilização da capacidade instalada ocorrerá de forma moderada, seguindo a recuperação do consumo doméstico”, afirmou Castelo Branco.

O economista acrescentou que a intensidade da recuperação da atividade industrial ainda não está definida. Ele previu que o segundo semestre será um período de transição para o crescimento industrial e, por isso, deve ser marcado pela alternância de dados positivos e negativos. Segundo Castelo Branco, a utilização da capacidade instalada é o único indicador que mostra de forma mais consistente uma recuperação no crescimento (do setor industrial), mas o nível ainda está bem abaixo do ano passado e no mesmo patamar de 2003.

Na avaliação de Castelo Branco, os dados de maio, divulgados hoje, mostram que a indústria já deve ter realizado o ajuste mais forte dos estoques e que, a partir de agora, qualquer aumento de demanda significará uma reação na produção. Ele disse que isso pode ser percebido pelos dados do faturamento e das horas trabalhadas acumulados de janeiro a maio. Os dois indicadores registraram uma queda bem próxima (entre um e outro) nesse período: 8,2% no primeiro caso e 8% no segundo.

O economista da CNI previu que os dados a serem divulgados referentes ao mês de junho serão predominantemente positivos, na comparação com maio, mas ainda apresentarão alternância de resultados (positivos e negativos). Na avaliação de Castelo Branco, os setores de bens de capital e os que dependem mais do mercado externo devem ter uma recuperação mais lenta. O nível de utilização da capacidade instalada, disse, ainda permite atender à demanda sem ampliação da capacidade produtiva.

“As exportações ainda dependem da retomada da economia mundial, e a gente ainda não observa cenários muito claros de recuperação. O próprio ritmo de investimento reagirá num momento em que se usar mais a capacidade já instalada. Há espaço para aumentar a produção sem investimentos e, obviamente, as empresas, no curto prazo, não devem retomar seus projetos”, afirmou Castelo Branco. Em maio, a capacidade instalada ficou em 79,8%, em termos dessazonalizados. Castelo Branco acrescentou que considera possível que ocorra melhora no emprego no segundo semestre, mas o cenário não será tão favorável quanto em 2008.