O gerente-executivo de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco, considerou positivo o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre de 2009, principalmente no setor industrial, que apresentou crescimento de 2,1% em relação ao primeiro trimestre. “Os números mostram a reação da economia brasileira e a importância das políticas de estímulo que fizeram com que os setores reagissem. Mas isso não significa que a crise está superada”, afirmou Castelo Branco, lembrando que na comparação com 2008 ainda existem dados negativos.

Castelo Branco disse que a CNI já esperava uma recuperação, mas que os números surpreenderam pela intensidade. Ele avaliou que esse bom resultado foi puxado pela demanda doméstica. Ele prevê, no entanto, que mesmo com essa recuperação o resultado do ano do PIB industrial ainda deve ser negativo, já que a média dos seis primeiros meses apresentou uma queda de 8,6% em relação ao mesmo período de 2008.

Ele disse que a CNI vai trabalhar sobre os novos dados, para até o fim de setembro divulgar a sua estimativa de PIB para o ano. Segundo Castelo Branco, a estimativa anterior era de uma queda de 0,4%, partindo de uma previsão de que o PIB do segundo trimestre ficaria em torno de 1,4%, abaixo do resultado divulgado hoje. “Vamos refazer os cálculos ao longo dos próximos dias, mas com certeza o quadro está melhor”, disse. O economista lembrou que o setor mais impactado pela crise foi o da indústria da transformação, principalmente pela queda da demanda externa e pelo recuo da demanda de investimento.

Castelo Branco reconheceu que o governo já adotou medidas de estímulo para investimento e que elas precisam “maturar um pouco”. Ele lembrou que o Brasil depende também da recuperação da economia mundial como um todo. Em função da crise, as exportações, segundo o economista, estão em níveis muito inferiores a 2008 e esse quadro se agrava com uma taxa de câmbio valorizada. Segundo Castelo Branco, o governo deve continuar adotando medidas de estímulo ao investimento, principalmente em relação às exportações. “São medidas que deveriam estar sempre na agenda principal do governo”, disse.