Brasília  – A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou ontem documento em que revisa, para baixo, as expectativas de crescimento do PIB geral e do industrial para este ano. Em janeiro, a CNI previa aumento de 2% para o PIB geral e de 1,8% para o industrial e agora acredita em crescimento de 1,5% e de 1%, respectivamente, segundo o boletim Informe Conjuntural.

Para 2004, o presidente da CNI, deputado federal Armando Monteiro Neto (PMDB-PE), prevê crescimento acima de 3 5%. As razões que levaram a confederação a reduzir as expectativas de crescimento são a baixa atividade industrial (as vendas da indústria de transformação caíram 3% de janeiro a junho ante igual período do ano passado e a produção, outros 2,6%), a queda no consumo de bens não-duráveis e semiduráveis, que dependem basicamente da demanda interna, escassez de crédito e juros reais elevados.

O alto índice de utilização da capacidade instalada dos setores exportadores é outro gargalo para o crescimento que preocupa a entidade, uma vez que, para crescerem mais, tais setores precisarão de pesados investimentos, o que não vem acontecendo. “Sem a retomada do investimento, a manutenção do crescimento da utilização da capacidade instalada tende a se apresentar como um futuro constrangimento ao crescimento das exportações e, conseqüentemente, à manutenção do moderado crescimento que a indústria brasileira vem mostrando nos últimos anos”, sustentam os técnicos da entidade.

Segundo a CNI, a falta de investimento é culpa não só dos juros altos como também da indefinição das reformas estruturais e da falta de confiança dos investidores.