Foto: João de Noronha

Matte Leão, no centro de Curitiba: crescimento e visibilidade.

Na esteira do fenômeno mundial de fusões e aquisições, a Coca-Cola anunciou ontem a compra da paranaense Leão Júnior S/A, empresa líder no mercado nacional de chás e com sede em Curitiba. A possível venda da empresa paranaense à multinacional já havia sido divulgada pela imprensa em meados de fevereiro. Porém, segundo nota divulgada pelas duas companhias, só ontem as negociações foram concluídas. O negócio está sob avaliação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O valor da transação não foi informado.  

Conforme nota divulgada pela empresa americana, o negócio inclui, além das marcas, as três unidades de produção localizadas em Curitiba e Fernandes Pinheiro, no Paraná, e no Rio de Janeiro. No dia 7 de março, a Coca-Cola Brasil apresentou o contrato de compra e venda ao Cade.

Na avaliação da Coca-Cola, a operação proporcionará um incremento nas opções de bebidas que a empresa oferece aos seus consumidores, com um total de 100 produtos. A Coca-Cola Brasil atua nos segmentos de bebidas não-alcoólicas, incluindo chás gelados, mate, sucos, águas, refrigerantes, isotônicos, lácteos e energéticos.

?Com a aquisição da Leão Júnior, aumentamos o portfólio de produtos de altíssima qualidade que disponibilizamos aos nossos consumidores, oferecendo a eles diversas opções de escolha de acordo com o seu momento de consumo e o seu estilo de vida. Além disso, essa aquisição possibilita sinergias com as atuais operações do Sistema Coca-Cola Brasil. Acreditamos muito na continuidade do crescimento de segmentos de bebidas não-alcoólicas no País, e nos manteremos atentos a novas oportunidades para atender e superar as expectativas dos nossos consumidores?, afirmou o presidente da Coca-Cola Brasil, Brian Smith, na nota divulgada pela empresa.

Segundo a Coca-Cola, o negócio está sob avaliação do Cade e a empresa decidiu manter a diretoria da Leão Júnior na condução da empresa. A companhia informou também que todos os fabricantes do Sistema Coca-Cola Brasil também deverão participar da Leão Júnior.

O chamado ?Sistema Coca-Cola Brasil? engloba 17 grupos fabricantes brasileiros, empregando diretamente mais de 31 mil funcionários. A empresa não divulga o faturamento no País, mas informa que as compras de produtos e serviços no Brasil somaram R$ 3,5 bilhões e recolheu R$ 2,6 bilhões em impostos no País.

Líder no mercado

Empresa com 105 anos de tradição e líder no mercado nacional de chás, a Leão Júnior, detentora da marca Matte Leão, preparou-se para ser vendida. ?Desde que assumi a direção da empresa, a partir da profissionalização da gestão, apliquei na companhia as experiências mais positivas, para tornar a empresa mais competitiva no mercado de bebidas, segmento que apresenta uma concorrência cada vez mais acirrada?, afirmou o diretor-geral da Leão Júnior, Renato Barcellos Guimarães, em nota divulgada ontem pela empresa.

?Registramos aumentos significativos nos faturamentos dos dois últimos anos. Além disso, retomamos as campanhas publicitárias e também ampliamos e diversificamos as linhas de produtos, além de ampliar as exportações e a prospecção de novos mercados com potencial. Era natural, com toda esta movimentação, que a Leão ganhasse mais visibilidade no mercado, atraindo o interesse de potenciais compradores?, acrescentou.

Em 2004, a Leão Júnior faturou R$ 126,3 milhões. No ano seguinte, R$ 134,4 milhões, e em 2006, R$ 158,9 milhões, com um crescimento de 18,2%.

Ministério da Justiça

No Ministério da Justiça, o processo de venda da Leão Júnior para a Coca-Cola está sendo avaliado pela Secretaria de Defesa Econômica (SDE). A avaliação acontece sob sigilo e o relatório, quando pronto, seguirá para o Cade. No Cade, a informação é de que o processo é avaliado ainda pela Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae), que também prepara um relatório e encaminha ao Cade. Com os dois relatórios em mãos, o Cade realiza um sorteio entre os seis conselheiros para definir quem será o relator do processo.

A procuradoria-geral e o Ministério Público do Cade também se pronunciam a respeito. O relator prepara, então, um parecer que é levado a julgamento. Não existe prazo para finalizar todo esse processo. A necessidade de o negócio passar pelo Cade é o fato de que a Matte Leão detém 45,7% do mercado de chás, enquanto a Coca-Cola (com o chá pronto Nestea, resultado da parceria com a Nestlé) detém 24,4%.