Após 10 anos administrando a Estação Aduaneira de Interior (Eadi) de Foz do Iguaçu, a Companhia de Desenvolvimento Agropecuário do Paraná (Codapar) encerra na segunda-feira (18) suas atividades no terminal. A decisão foi tomada depois que a diretoria da companhia avaliou as desvantagens de participar de novo processo licitatório da Receita Federal.

A diretoria concluiu que a Codapar não poderia assumir o encargo, em função do alto investimento e baixo retorno -com a prática de tarifas reduzidas -, além das restrições impostas pela Lei de Responsabilidade Fiscal, que iriam refletir no próximo governo estadual.

Uma comissão da Codapar, formada por técnicos das áreas financeira, administrativa, logística, informática, auditoria e da própria Eadi, está em Foz do Iguaçu providenciando a transição das atividades da Eadi para a Columbia Eadi-Sul, a nova permissionária escolhida em licitação, que firmou contrato emergencial por seis meses com a Superintendência da Receita Federal.

A Codapar, empresa de economia mista, vinculada à Secretaria da Agricultura, executou uma série de melhorias na Eadi de Foz. Segundo o diretor presidente da companhia, Evaldo Barbosa, “a Codapar tem a certeza e o orgulho de ter contribuído de forma decisiva na transformação da Eadi, uma das maiores e mais modernas estações aduaneiras do país, o que permitiu maior segurança, agilidade e conforto a usuários e órgãos intervenientes, como a Secretaria da Receita Federal, ministérios da Agricultura e da Saúde, Ibama, Claspar e Despachantes Aduaneiros”.

Só em 2001, passaram pela Eadi de Foz 145 mil veículos pesados (uma média mensal de quase 600 caminhões), movimentando negócios da ordem de U$$ 556 milhões em importações e U$$ 757 milhões em exportações. Desde 1992, quando assumiu a operação da estação, foram realizadas diversas obras no local, atendendo as exigências do mercado e da Receita Federal. O investimento foi de R$ 5,7 milhões, em recursos próprios da empresa.

Obras

Uma das melhorias mais importantes feitas pela Codapar na Eadi foi a instalação de um sistema de informatização de alta tecnologia, com transmissão por fibra ótica e ondas de rádios. O sistema permitiu a interligação entre as pontes Internacional da Amizade, na fronteira com o Paraguai, e Tancredo Neves, na divisa com a Argentina, além da Delegacia da Receita Federal com a Eadi, fechando uma rede de 47 estações de trabalho. Com isso, foi possível monitorar todos os veículos, desde a entrada no terminal, até a saída do país, ou vice-versa.

Os investimentos feitos na Eadi

A Codapar ampliou o pátio da Eadi, que passou de 55 metros quadrados para 135 m2; instalou duas balanças rodoviárias eletrônicas; construiu novas áreas administrativas, com mais de 2000 m2; providenciou a iluminação total dos pátios; construiu uma rede interna e externa de esgoto, de mais de 1500 m2 de canalização, interligando a rede coletora da Sanepar; pavimentou o pátio com asfalto e brita graduada, construindo um acesso de 1 km de extensão para atender aos veículos vindos da Argentina, o que desafogou o fluxo na BR-277.

A Codapar também promoveu melhorias no atendimento aos usuários, caminheiros e familiares que transitam pelo local, construindo conjuntos sanitários, áreas cobertas com mesas, televisores, churrasqueiras e play-ground. As obras, além do conforto, agilizaram o processo de desembaraço aduaneiro, reduzindo o tempo de permanência dos caminhões no local de 15 horas, em média, para cinco. A estação dispõe ainda de 30 terminais para caminhões frigoríficos, um armazém convencional com capacidade para 3 mil metros quadrados e outro frigorífico, com 530 m2.

Transição – Preocupada em não prejudicar as atividades aduaneiras, a diretoria da Codapar estabeleceu as negociações necessárias para que a transição administrativa transcorresse da melhor maneira possível. A primeira preocupação foi garantir a permanência dos atuais 75 funcionários da estação. O pedido foi prontamente atendido pela nova permissionária. Além disso, a Columbia Eadi-Sul convidou funcionários efetivos da Codapar a firmarem contrato com a empresa. Três funcionários aceitaram o convite e estão se desligando da companhia.

Localizada na BR- 27, km 727,5, na fronteira com o Paraguai e Argentina, a Eadi de Foz do Iguaçu é um ponto estratégico para os negócios do Mercosul, ampliando as transações comerciais entre o Brasil, Argentina, Chile e Paraguai. A estação é popularmente conhecida como “porto seco”, terminal alfandegado de uso público, onde se permite a execução de todos os regimes aduaneiros, tanto para importação como exportação de produtos.