A troca de comando do Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat), gestor de um orçamento de R$ 43 bilhões em despesas para 2010, provocou uma disputa nos bastidores entre o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, e as confederações empresariais que integram o conselho. Fontes ligadas ao conselho afirmam que o ministro estaria lutando para manter sua influência sobre a presidência e as decisões de aplicação dos recursos do FAT em um ano eleitoral. O fundo paga o seguro-desemprego, abono salarial e financia projetos do setor produtivo. A eleição do novo presidente do Codefat, para o biênio 2009/2010, está marcada para hoje, em Brasília.

Por lei, há um rodízio entre as bancadas do governo, empresários e trabalhadores no cargo. Desta vez, cabe aos empresários a indicação e, por acordo, foi escolhido Fernando Antonio Rodriguez, professor da Universidade de Viçosa e representante da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), presidida pela senadora Kátia Abreu (DEM-TO).

Nas últimas semanas, inconformado de a presidência ficar ligada à parlamentar de um partido de oposição, Lupi começou a trabalhar pela candidatura de Luigi Neri, da recém-criada Confederação Nacional de Serviços, que passou a integrar o Codefat há alguns meses. A criação dessa entidade foi assinada por Lupi e, segundo fontes, seria mais fácil para o ministro manter influência sobre a presidência do conselho.

Por meio de sua assessoria, Lupi negou haver interferência, alegando que nem sequer integra o Codefat e a decisão sobre a presidência cabe ao colegiado. “A eleição depende da unidade da bancada patronal. Se eles estiverem unidos poderão conseguir eleger o seu candidato”, disse Lupi. Procurada, a senadora Kátia Abreu afirmou que está “surpresa” com as notícias de possível interferência. Segundo ela, integrantes da articulação política do governo com quem conversou teriam dado certeza de que não há intenção do Executivo em mudar o acordo de rodízio da presidência. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.