O município de Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, quer se transformar em pólo da uva e do vinho. Nesse sentido, está buscando parceria com a Embrapa de Bento Gonçalves (RS) – referência no setor vinícola – para qualificar os produtores locais. Colombo conta com 30 vinícolas, que produzem cerca de 800 mil litros de vinhos artesanais por ano. A produção de uva é estimada em 1,3 milhão quilos anualmente.

 ?Propusemos a parceria com a Embrapa Rio Grande do Sul e a Embrapa Colombo. Queremos aproveitar o conhecimento da Embrapa para qualificar os nossos profissionais e assim eles repassarem as informações aos nossos produtores?, explicou a secretária da Agricultura, Abastecimento e Meio Ambiente de Colombo, Roseli Cavalli. ?Nosso objetivo maior é manter a tradição, a história e dar continuidade ao cultivo da uva?, explicou a secretária.

Outro objetivo, segundo ela, é agregar valor ao produto, com a produção de sucos, geléias, compotas e uva desidratada. Colombo conta com cerca de 175 produtores de uva. Desses, 80 fabricam vinho – portanto agregam valor ao produto – e 30 possuem vinícolas.

Quarta geração

Não há como falar sobre a produção de uva e vinho em Colombo sem recorrer à história. A maioria dos atuais produtores da região são netos ou bisnetos de agricultores que se dedicaram à cultura. É o caso de Fernando Rausis, filho de Dirceu Rausis – origem francesa – e de Maria Ivone, da família Ceccon – origem italiana. Da união surgiu a vinícola Franco-Italiana, uma das maiores da região.

Fernando conta que seu bisavô, da família Rausis, já produzia uva em Colombo desde 1878. A tradição foi passada para os filhos, netos e agora chegou à quarta geração. A princípio, segundo Fernando, a produção de vinho era apenas para o consumo próprio. Mas, com o aumento da procura, a família passou a comercializar.

Hoje, a Franco-Italiana produz cerca de 50 mil litros de vinho por ano e ainda mantém a tradição de comercializar apenas na própria vinícola. ?Não vendemos para o atacado, nem exportamos. A quantidade de uvas na região não é suficiente para atendermos esses mercados?, afirmou Fernando. As variedades incluem tinto seco bordeau, tinto suave bordeau, branco seco niágara, branco suave niágara e o rosé suave niágara. A garrafa é vendida a R$ 4,50.

A novidade, porém, é o vinho varietal cabernet-sauvignon, que começou a ser produzido no ano passado. Ao contrário dos demais, que são reservados em tonéis durante seis meses para daí serem comercializados, o varietal requer um ano de reserva em barril, mais seis meses engarrafado antes de ir à mesa. O preço da garrafa também é outro: R$ 13,00. A vinícola vende por mês cerca de 2 mil litros de vinho. No final de ano, a quantidade chega a 5 mil litros, por conta de pedidos de empresas.

Concorrência

Especialmente este ano, os vinhos nacionais ganharam um concorrente de peso. Com o dólar desvalorizado, o vinho importado chegou às prateleiras dos supermercados com preço bastante acessível. Para Fernando Rausis, porém, não é tanto o câmbio que influencia a concorrência, mas a isenção de impostos que o Mercosul instituiu. ?Há vinhos chilenos e argentinos, que não são bons, custando US$ 1, enquanto a carga tributária dos nossos vinhos ultrapassam a 40%?, afirmou. Fernando criticou também o subsídio concedido pelos governos chileno e argentino. ?Enquanto lá pagam o equivalente a R$ 0,10 a R$ 0,20 a rolha de cortiça crua, aqui custa R$ 1,50?, reclamou.

Com relação às vendas, Fernando contou que, em 2005, elas cresceram 18% em relação ao ano passado. Para 2006, a expectativa é repetir o mesmo índice. ?Em toda a história, nunca se produziu tão bons vinhos como em 2005?, afirmou. Segundo ele, a estiagem no período da frutificação da uva foi o fator que mais contribuiu para a qualidade.