O diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central (BC), Tony Volpon, afirmou nesta segunda-feira, 20, que é “otimista” em relação à dinâmica da inflação em 2016, principalmente, porque os choques que têm impactado os preços relativos neste ano tendem a perder força.

“O choque de preços administrados atinge seu pico após quatro trimestres, diminuindo rapidamente em intensidade logo depois”, afirmou, em palestra para investidores em São Paulo, promovida pela CM Capital Markets.

“Os fatores que têm impactando a inflação, derivados dos recentes choques de preços relativos, têm sua maior expressão neste ano de 2015”, afirmou. “Diferentemente, as respostas da política econômica devem se manifestar com maior potência em 2016. Utilizando um termo mais habitual na política, as diferenças de temporalidade destes efeitos sugerem que a ‘correlação de forças’ entre esses choques se tornará desinflacionária a partir de 2016”, completou.

Volpon afirmou que o compromisso do Banco Central de escolher o final de 2016 como horizonte de convergência da inflação à meta “é crucial tanto para diminuir a inflação corrente quanto para ancorar progressivamente as expectativas”.

Volpon: não estou cantando vitória, mas foi bom ter ancorado inflação de 2017 –

Volpon afirmou, ainda, que a autoridade monetária está tentando ser “clara e transparente” na comunicação com o mercado e com a sociedade. “A comunicação do BC tem funcionado, as coisas estão indo. Há muito pela frente”, ponderou.

Segundo o diretor, ainda há muito trabalho para ser feito, mas é preciso reconhecer os avanços. “Reconhecer algum progresso não é cantar vitória”, disse, reforçando diversas vezes que o BC continuará a trabalhar para trazer a inflação para o centro da meta, de 4,5%, em 2016. “Não estou cantando vitória, mas foi bom ter ancorado inflação de 2017”, continuou.

Sobre as críticas de que o BC teria errado ao projetar a inflação abaixo da efetiva, Volpon reconheceu que a autoridade pode ter “errado a mão”, mas ponderou que o mercado também se equivocou.