O ano de 2015 começou mais caro para os brasileiros. Os consumidores que sonhavam com o carro zero vão precisar planejar melhor as contas e colocar novamente os gastos na ponta do lápis. Tudo isso porque, desde o dia 1.º de janeiro, o governo federal pôs fim à redução da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) que foi adotada no país desde 2012, com o objetivo de estimular o consumo para manter as empresas produzindo e evitar a redução de emprego.

Após três anos, a alíquota para carros populares passou de 3% para 7%; dos carros médios flex, de 9% para 11% e, no caso de carros à gasolina, de 9% para 13%. Contudo, o repasse do reajuste ao consumidor, parcial ou total, vai depender das concessionárias. Fernando Camargo, gerente geral da Copava, acredita que o reflexo do IPI será sentido a partir de fevereiro. “Nós já prevíamos esse aumento, por isso estocamos os automóveis com maior giro justamente para atender os consumidores no início do ano. Temos um estoque para pelo menos 30 dias”, explica. Portanto, ainda é possível pode aproveitar os preços sem reajuste.

Para o gerente da Copava, o aumento da alíquota tem impacto, mas também é preciso levar em conta outros fatores como o crédito bancário. Segundo ele, em média 60% das vendas do ano passado foram através de financiamento bancário. “Caso os bancos liberem um bom limite de crédito, o mercado vai se manter aquecido”, afirma.

Outros custos

Segundo o economista Daniel Poit, há vários aspectos a se considerar, mas de maneira geral, um carro no valor de R$ 30 mil representa uma despesa de cerca de R$ 800 por mês. “Estou considerando um carro comprado à vista e com um uso médio de 2.500 km por mês, embutindo gastos com os impostos como IPVA e licenciamento, manutenção, seguro, combustível e estacionamento. Se a compra for à prazo, precisa somar a prestação. Se parcelar em 36 vezes de R$ 1.200, o gasto mensal vai superar R$ 2 mil”.

A dica do economista é avaliar a real necessidade de se comprar um carro. “Se resolver financiar o veículo, a prestação não deve superar 15% da sua renda líquida. É preciso ter certeza que você pode pagar”, afirma.