Rio de Janeiro – A produção industrial do país recuou 0,5% em setembro, ante o crescimento de 1,3% de agosto. Mesmo com o resultado negativo, o setor industrial fechou o terceiro trimestre de 2007 com aumento de 1,5% na produção em relação ao trimestre anterior, mas ficou abaixo do crescimento registrado do primeiro para o segundo trimestre do ano, de 2,5%.

De acordo com a Pesquisa Industrial Mensal, divulgada nesta terça-feira (6) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 16 dos 27 ramos pesquisados diminuíram a produção de agosto para setembro. Entre eles, veículos automotores, com redução de 3,1%. O setor vinha aumentando a produção há quatro meses consecutivos, alcançando expansão de 12,7% no período. Também caíram a produção de celulose e papel (7,2%) e de outros produtos químicos (3,0%).

Já os produtos alimentícios tiveram expansão de 0,8%, e representaram o principal impacto positivo na indústria em setembro.

Ao avaliar a produção industrial pelas categorias de uso, a única que apresentou expansão em setembro foi a de bens de capital, de 1,4%. Em agosto esse crescimento foi de 3,6%.

Os bens intermediários tiveram queda de 1%. Já os bens duráveis e de consumo, que também vinham impulsionando a produção nos últimos meses, registraram redução de 0,2% e 0,3%, respectivamente.

Segundo a gerente de Análise e Estatísticas Derivadas do IBGE, Isabella Nunes, os resultados de setembro mostram uma acomodação da indústria depois de um longo período de crescimento. Ela disse4 que não comprometem a trajetória positiva do setor em 2007, já que as estatísticas de longo prazo continuam positivas.

?Esse resultado negativo vem após um crescimento intenso, que vem desde agosto do ano passado. A indústria mostra um fôlego forte e é natural uma acomodação. A média móvel, que é um indicador de tendência, diminui o ritmo, mas não perde a trajetória de crescimento, não sai da trajetória de resultados positivos há três trimestres consecutivos?, explicou.

Ela também atribuiu o recuo da produção em setembro aos quatro dias úteis a menos no mês do que em agosto, que não foram totalmente neutralizados pelo ajuste estatístico (ajuste sazonal) utilizado normalmente para comparar dados de meses diferentes do ano.

?Tivemos um setembro com número de dias úteis inferior a média e um agosto acima da média histórica. Essa diferença de quatro dias úteis sai um pouco do padrão de ajuste sazonal, o que pode ter influenciado um pouco o resultado, puxando-o para baixo?, explicou Isabella Nunes.

Comparada a setembro do ano passado, a indústria teve aumento de 5,6% na produção, completando 15 meses consecutivos de alta. O crescimento, no entanto, ficou abaixo das taxas registradas em agosto (6,6%), julho (7%) e junho (6,6%), refletindo também, segundo Isabella Nunes, além da acomodação da indústria, um dia útil a menos do que no mesmo mês do ano passado.

Dos 27 segmentos avaliados, 21 ampliaram a produção. O desempenho com maior impacto positivo foi o do ramo de veículos automotores, que expandiu 23,2%.

Todas as categorias de uso tiveram taxas positivas. A maior delas continuou sendo, como em agosto, a de bens de capital (21,9%), seguida de bens de consumo duráveis (13,2%).

Isabella Nunes destacou essa característica do crescimento apontando-a como sinal de boas perspectivas para a continuidade da expansão da indústria. ?Esse crescimento baseado em bens de capital e duráveis é uma qualidade de crescimento boa, na medida que se tem uma perspectiva de aumento de capacidade [da produção] quando esses investimentos maturarem?.

A produção de bens intermediários (3,7%) e a de bens de consumo semi e não-duráveis (2%) cresceram abaixo da média da indústria.

Nos nove meses de 2007, a produção industrial acumulou alta de 5,4%, em relação ao mesmo período de 2006. A principal contribuição para o crescimento partiu do segmento de veículos automotores (12,5%), vindo a seguir máquinas e equipamentos (17,5%), outros produtos químicos (5,8%) e metalurgia básica (6,7%).