Álcool e gasolina estão ficando mais caros. Segundo informações do Sindicombustíveis/PR (Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Derivados do Paraná), desde ontem algumas distribuidoras estão repassando um aumento de R$ 0,12 por litro no álcool hidratado, o que significa um adicional de R$ 0,03 no preço final da gasolina (que tem 25% de álcool anidro na mistura).

“Como as margens dos postos estão deprimidas (entre R$ 0,07 e R$ 0,10) e insuficientes para podermos trabalhar, possivelmente esse valor será repassado ao consumidor”, diz o presidente do Sindicombustíveis/PR, Roberto Fregonese. Com base no último levantamento da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o preço médio do álcool em Curitiba subiria de R$ 0,81 para R$ 0,93, enquanto o valor médio da gasolina passaria de R$ 1,82 para R$ 1,85.

Fregonese relata que o álcool, que na semana passada era comprado das distribuidoras por até R$ 0,68, ontem não saía por menos de R$ 0,75. “O álcool vendido a R$ 0,75 deve desaparecer do mercado”, prevê. De acordo com a ANP, o litro da gasolina em Curitiba varia de R$ 1,76 a R$ 1,99, enquanto o preço do álcool oscila entre R$ 0,73 e R$ 1,19. “Até terça-feira, quando deve se encerrar o processo de alteração de preços, o consumidor terá várias opções de preços”, comenta Fregonese.

Embora o Sindicombustíveis/PR tenha fechado acordo coletivo com o sindicato de trabalhadores, o presidente da entidade alega que o aumento nas bombas se deve unicamente à elevação do preço do álcool nas distribuidoras. “No ano passado, o álcool custava o dobro do que é hoje. Houve um atraso na colheita porque existe muito álcool da safra antiga. Acredito em recuperação de valores nessa moagem porque as usinas não podem continuar trabalhando no prejuízo”, argumenta Fregonese. Segundo ele, o reajuste salarial de 6% mais 26 tíquetes-refeição de R$ 4 aos trabalhadores impacta em R$ 0,025 o preço final dos combustíveis, mas ainda não foi repassado. “O revendedor está numa guerra de preços muito grande, mas não pode segurar por muito tempo”, afirma.

Usinas

A Associação dos Produtores de Álcool e Açúcar do Paraná (Alcopar) nega que a alta dos combustíveis tenha sido provocada por elevação de preços nas usinas. Na semana passada, o álcool hidratado saía das usinas ao preço médio de R$ 0,34, um centavo acima da semana anterior. “O preço na usina está variando um a dois centavos por semana”, informa o superintendente da Alcopar, Adriano Dias.

Ele confirma que está havendo um retardamento da colheita da safra 04/05, mas em função da seca. “O início da colheita foi postergado de março para abril, mas isso não causa problema de abastecimento”, explica Dias. No último levantamento feito pela Alcopar, o Paraná tinha um estoque de 221,7 mil litros de álcool – para um consumo mensal médio de 80 mil litros. “Em fevereiro do ano passado, vendíamos álcool a R$ 1,00 e os postos vendiam por R$ 1,20 a R$ 1,30. Reduzimos nosso preço em 70%, mas na bomba não baixou isso. Se é margem da companhia ou do posto, não sei”, finaliza o superintendente da Alcopar.