O comércio varejista da região metropolitana de Curitiba-RMC apresentou, em dezembro de 2002, uma inversão de comportamento em relação a novembro. As compras subiram 9,94% e as vendas 13,77% na comparação com novembro. Os números de dezembro também ajudam a elevar a média do último trimestre do ano, contribuindo assim para confirmar a tendência histórica de melhoria do varejo nesse período. Os números são da Pesquisa Conjuntural do Comércio, realizado pela Federação do Comércio do Paraná, abrangendo empresas de Curitiba e Região Metropolitana.

Ao analisar os números da pesquisa, o presidente da Federação do Comércio do Paraná, Rubens Brustolin, considera como fatores importantes, e que contribuíram para uma melhora no desempenho do setor, o pagamento do 13.º salário, consumo de produtos típicos ou tradicionais no período, aumento do emprego temporário, e a realização das confraternizações. Por outro lado, diz o dirigente sindical, cabe destacar a combinação de fatores que contribuíram para conter o crescimento: taxas de juros elevadas, queda da renda média real do trabalhador brasileiro, taxa cambial elevada e redirecionamento de opções dos consumidores.

O acumulado do ano, porém, inverteu a situação. As compras foram inferiores às do mesmo período de 2001 em -5,40%, assim como as vendas, que tiveram desempenho negativo de -4,46%. O emprego no comércio da Região Metropolitana de Curitiba no ano de 2002, registrou aumento de 1,51% . Por sua vez, a folha de pagamentos para o mesmo período tem queda de – 2,27%.

Outras variáveis também contribuíram para conter um melhor desempenho: crise da economia americana e da Argentina; inflação (12,53%) acima das expectativas; elevação das cotações internas das “commodities”, em parte estimulada pela alta do dólar.

Por outro lado, a relação cambial média verificada no ano passado favoreceu as exportações brasileiras, na medida em que muitos produtos nacionais se tornaram mais baratos e acessíveis para o consumidor externo. As chamadas “commodities” agrícolas, tipo soja, milho, café, e outras, que tem o preço definido no mercado externo, propiciaram em 2002 altos ganhos aos produtores brasileiros. Essa ocorrência aumentou a lucratividade de diversas atividades econômicas, elevando a capacidade de investimento de alguns setores.

Inadimplência em queda

A taxa de inadimplência recuou para -1,67% em janeiro deste ano. O índice é o menor registrado entre todos os meses de janeiro e um dos mais baixos valores na série histórica da Associação Comercial do Paraná. Nos últimos doze meses a taxa de inadimplência alcançou 1,81%.

Em contrapartida, o número de consultas ao Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) ? indicador de vendas a prazo – em janeiro, apresentou queda de 28,05% em relação ao mês anterior. Foram 317.017 consultas em janeiro de 2003 contra 440.593 em dezembro de 2002. Como o consumidor investe nas compras de fim de ano, motivado pelas liquidações atraentes no período, esta queda em janeiro já era esperada.

O mesmo ocorreu com o número de consultas ao VideoCheque ? indicador de vendas à vista ? a queda foi de 20,77% em relação a dezembro. Foram 337.012 consultas em dezembro de 2002 contra 267.004 em janeiro deste ano.