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Consumidor tem demonstrado confiança e isso faz vendas aumentarem.

Depois de dois anos seguidos de retração, o comércio do Paraná finalmente dá mostras de que está se recuperando. Prova disso é o saldo de empregos (admitidos menos demitidos), que pulou de 6.888 no primeiro semestre do ano passado para 11.582 entre janeiro e junho desse ano – crescimento de 68%, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego. O volume de vendas também aumentou: a variação passou de 2,92% no acumulado de 2006 para 7,39% nos cinco primeiros meses desse ano.  

?Desde o final do ano passado a economia está se recuperando, e o comércio é um dos primeiros setores a sentir tanto a expansão como a retração da renda da população?, apontou o economista Sandro Silva, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos, regional Paraná (Dieese-PR).

Na análise de um período mais longo, o comércio paranaense não faz feio. Entre 2001 – quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e a Federação do Comércio do Paraná (Fecomércio-PR) iniciaram pesquisa do setor – e 2006, as vendas no Estado cresceram 35% em termos reais (valores deflacionados). Em termos nominais, o crescimento foi em torno de 90%. ?É um bom índice, principalmente se considerarmos que foi um período marcado por eleições, em 2002, o receio de que Lula fosse eleito, o início do primeiro ano do governo?, avaliou o assessor econômico da Fecomércio-PR, Vamberto Santana.

Além das questões macroeconômicas, o Paraná sofreu, em 2005, os efeitos da febre aftosa, dificuldades na exportação de frango – por conta da gripe aviária em outros países -, queda nos preços das commodities agrícolas e, principalmente, quebra de safra por conta da forte estiagem. O resultado foi a queda acentuada no saldo de empregos no comércio, passando de 35 mil em 2004 para 25 mil um ano depois – redução de quase 30%. O volume de vendas também registrou queda, de 1%: o pior resultado desde 2001, início das pesquisas.

?Isso mostra o quanto o Paraná é dependente da agropecuária. A agroindústria é o segmento que mais exporta no Estado?, comentou Sandro Silva, do Dieese-PR. No ano passado, o Paraná ainda sofreu os efeitos da crise agrícola, e o resultado foi nova queda no saldo de empregos no comércio (-15,8%), e baixo crescimento no volume de vendas (2,92%).

Outros fatores

Fatores como taxa de juros e acesso ao crédito também exercem influência direta sobre o comércio. ?De 2001 a 2005, as taxas de juros estavam em processo ascendente. Com isso, as pessoas deixavam para comprar depois e acabavam não comprando?, comentou Vamberto Santana, da Fecomércio-PR. O movimento de queda, iniciado em setembro de 2005, já reduziu a taxa de juros de 19,5% para 11,5%. Apesar disso, salienta Santana, trata-se de uma taxa muito elevada. ?É uma limitação que atrapalha as vendas do comércio?, comentou.

A facilidade no acesso ao crédito é outro fator que contribui para as vendas. Segundo Santana, dívidas maiores -como o financiamento de um veículo – normalmente são honradas, já que há o risco de perder o produto caso duas ou três prestações deixem de ser pagas. ?Nas compras menores, a inadimplência acaba sendo resolvida com novo pacto de pagamento, maior prazo?, explicou ele. 

Eletroeletrônicos ganham espaço nas prateleiras

Ao longo dos últimos sete anos, segmentos tradicionais como vestuário e produtos de beleza tiveram que aprender a dividir espaço com as novidades do comércio, principalmente no setor de eletroeletrônicos. ?Num período de sete anos, alterou-se bastante o perfil de produtos colocados nas lojas à disposição do consumidor, a começar pela informática, novos produtos e equipamentos, passando por inovações em celulares, televisores com tela LCD ou plasma, carros flex (bicombustíveis), os i-pods?, enumerou Vamberto Santana, do Fecomércio-PR, salientando que o número de novos produtos colocados à venda entre 2001 e 2007 foi muito maior do que o de retirados.

Sobre os segmentos do comércio que mais empregam, Santana destaca os super e hipermercados, cadeias fast-food, lojas de departamentos e shoppings. ?As redes de supermercados estão aumentando o número de pontos de vendas e, em cada um deles, são contratados 250, 300 trabalhadores. Além disso, como a maioria funciona das 7h às 22h ou 24h, é necessário ter no mínimo dois turnos?, comentou. A instalação de novos shoppings – como é o caso do Palladium, que será inaugurado em Curitiba no ano que vem – também gera muitos empregos, lembrou Santana. ?Já nas concessionárias de veículos não ocorre o mesmo. A demanda é mais seletiva e elas empregam menos?, comparou. (LS)