As vendas do comércio varejista do Paraná tiveram uma variação negativa de -1,6% em outubro, na comparação com setembro. Foi a quinta menor variação entre os 27 estados da Federação, incluindo o Distrito Federal. No mesmo período, a receita do comércio paranaense encolheu 1,5%.

Os dados, que fazem parte da Pesquisa Mensal do Comércio, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), atestam que a crise na economia internacional já atinge diretamente o desempenho do setor. Em todo País, a queda foi de 0,3%.

Em outubro, em comparação com o mesmo mês do ano passado, o volume de vendas no Paraná também apresenta queda, mesmo se mantendo positiva, de 7,9%, inferior à média nacional de 10,1%.

No acumulado do ano, porém, o varejo paranaense (ampliado) cresceu 12,8%. Nos últimos 12 meses a variação foi de 12,9%. Já a receita do comércio varejista ampliado do Estado cresceu 17,6% de janeiro até outubro.

Já o volume de vendas do comércio varejista ampliado (onde estão incluídos os setores automobilístico e de construção civil) do Paraná teve a menor variação positiva entre os estados, no período de outubro a outubro, de 1,6%. Nesse quesito, o desempenho do comércio paranaense supera apenas as variações negativas do Distrito Federal (-5,4%), do Pará (-3,6%) e do Rio Grande do Norte (-0,2%).

De acordo com o técnico da coordenação de serviços e comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Reinaldo Pereira, o resultado das vendas do varejo ampliado paranaense em outubro sofreu forte influência da queda nas vendas nas atividades de veículos motos e autopeças (de -5,1%) e da construção civil (de -9,1), no período comparado a outubro de 2007.

A queda dos negócios em outubro, em relação a setembro, foi a primeira após sete meses consecutivos de expansão na comparação com o mês anterior. “Mas ainda não é possível afirmar (que seja efeito da crise). Pode ser um recuo pontual, temos que aguardar”, afirma Pereira.

Isso porque, segundo ele, na comparação com outubro do ano passado, o crescimento de 10,1% do nível de vendas foi o melhor resultado para um mês de outubro desde o início da série da pesquisa em 2001.

Para Pereira, esse resultado mostra que o varejo ainda prossegue com as vendas aquecidas. “O emprego e a massa de salários ainda não foram afetados pela crise, como mostra a pesquisa, pelo menos até outubro as pessoas estavam consumindo.” No ano, o varejo nacional acumula alta de 10,4%, de janeiro a outubro e 10,3% nos últimos 12 meses.

O único sinal de retração, possivelmente causado pelo receio do consumidor em gastar e a alta dos juros, pôde ser notado no comércio varejista ampliado, que em outubro, no País, teve um aumento nas vendas de apenas 3,7% em relação a igual mês do ano anterior. “Isso mostra que a crise pegou forte mesmo foi na parte de veículos”, disse o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luís Otávio de Souza Leal.

No País, essa atividade mostrou queda de 19,9% nas vendas em outubro em relação a setembro e recuo de 7,3% na comparação com outubro de 2007. Segundo Pereira, esse desempenho reflete a desconfiança do consumidor diante da crise, além da redução nos prazos de financiamento por causa da menor disponibilidade de crédito para o setor.

No entanto, ele ressaltou que, com a redução do Impostos sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis, é possível que o resultado negativo seja revertido nos próximos meses.