Rio – O ministro da Fazenda, Guido Mantega, voltou a se reunir ontem com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) para discutir formas de reduzir o spread bancário no Brasil (diferença entre a taxa de juros cobrada pelo banco no empréstimo à pessoa física e o custo de captação desses recursos). Segundo Mantega, a questão dos depósitos compulsórios dos bancos ao Banco Central e a questão da cunha fiscal, que incide sobre o crédito no Brasil, não foram discutidas e o governo não cogita alterar esses dois pontos.

?O governo não pretende reduzir os compulsórios e a cunha fiscal também não foi mencionada (na reunião). Neste momento, escolhemos fazer uma desoneração tributária na folha de pagamentos?, afirmou, destacando que enquanto a inadimplência responde por 30% dos spreads, os compulsórios representam apenas 7% e a cunha fiscal tem um peso de 17%.

Após a discussão, que contou com as presenças do presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, e do presidente da Febraban, Fábio Barbosa, chegou-se à conclusão que o caminho para reduzir os custos dos financiamentos do País é o da melhoria nas informações do sistema financeiro e do aumento da competição entre os bancos, informou Mantega. Embora tenham chegado a um acordo sobre estes dois pontos, ainda não foi desenhada qualquer ação administrativa nova para atacar a questão dos spreads.

Mantega destacou que a partir de agora o governo tentará acelerar a aprovação do cadastro positivo no Congresso Nacional, e que a Fazenda liberará recursos para que o BC agilize o aperfeiçoamento da sua central de risco para que o sistema possa disponibilizar, também, informações de tomadores de recursos a partir de R$ 3 mil – hoje a central só tem informações para créditos acima de R$ 5 mil.

Para o ministro, também é necessário que os bancos informem melhor os correntistas sobre as taxas de juros cobradas nas suas linhas de crédito. ?Melhorar as informações do sistema bancário significa aumentar a competição, e é isso que queremos?, disse, ressaltando também que a conta-salário criada no ano passado também deve influenciar a competitividade do sistema.

Segundo o presidente do BC, Henrique Meirelles, será preciso estudar como os bancos disponibilizarão melhor as informações sobre as taxas, mas é possível que isso seja feito por meio dos sites do próprio BC, da Febraban ou até mesmo em tabelas afixadas nas agências bancárias.