A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) tem monitorado atentamente as condições climáticas no Paraná, devido aos indicativos de estiagem com conseqüências para a produção de trigo no estado. O Paraná, seguido do Rio Grande do Sul, é o maior produtor de trigo do país.

Segundo o diretor de Logística e Gestão Empresarial da Conab, Sílvio Porto, o levantamento dos possíveis prejuízos foi feito pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

"São dados que podem mudar. Estamos atentos ao regime de chuvas, que pode impactar a produtividade do trigo", informou Porto.

O dirigente da Conab informou que outro problema no Paraná é a substituição da produção trigo pelo milho e pela cana-de-açúcar.

Números divulgados pela companhia, na 10ª estimativa da safra 2006/2007 mostram queda de 3,2% na área plantada de trigo no estado, embora, no resto do país, o crescimento tenha chegado a 3,4%, com aumento em Goiás, Distrito Federal, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Em todo o país, ainda comparando-se os números da Conab, a safra 2006/07 de trigo registrou produção de 2,23 milhões de toneladas, queda de 54,2% na comparação com a safra anterior, devido à redução de 25,6% na área plantada motivada pelos "baixos preços do produto na época da implantação da cultura", e da queda na produtividade, que chegou a 38,4% por causa de problemas climáticos.

Preocupa ainda a Conab a produção de arroz no país por causa da instabilidade do preço. Conforme o Sílvio Porto, "o preço instável pode ser um desestímulo e comprometer a próxima safra". Ele garantiu, porém, que não haverá problema no abastecimento, devidos aos estoques e às importações do produto.

"Historicamente, a gente sempre traz o produto da Argentina e do Uruguai. Portanto, o arroz vindo do Mercosul [Mercado Comum do Sul], dentro de um patamar de 1,5 milhão de toneladas permite uma regularidade no quadro de suprimentos", disse.

A safra de arroz 2006/2007 já foi concluída nas regiões Centro-Sul e Norte-Nordeste – a previsão do final da colheita é para outubro.

A área cultivada, segundo informou a Conab, é de 3 milhões de hectares, inferior à safra anterior em 1,7%. Além dos preços, influenciou na redução da área plantada o nível dos reservatórios de água durante o plantio no Rio Grande do Sul, principal produtor.

A produção nacional também deverá ter queda de 3,5% na comparação com a última safra  e chegar a 11,3 milhões de toneladas. A redução deve-se, além da diminuição das áreas, à perda na produtividade em alguns estados do Norte-Nordeste e do Centro-Oeste.