A produção de cana-de-açúcar no Brasil deverá alcançar a marca de 641,982 milhões de toneladas na safra 2011/2012, anunciou hoje a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A projeção representa um crescimento de 2,9% em relação ao total de 623,905 milhões de toneladas da safra 2010/2011. O crescimento na oferta de cana, entretanto, não deverá representar folga no abastecimento de álcool, pois haverá menos etanol no mercado que na safra passada, indica o primeiro levantamento da safra de cana-de-açúcar 2011/2012 da Conab.

A solução para o problema de abastecimento de álcool virá somente em médio prazo, alerta o secretário de Produção e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento(MAPA), Manoel Bertone. Ele avalia que serão necessários mais investimentos no setor, inclusive para a produção de cana. No curto prazo, entretanto, ele avalia que há pouca margem de manobra. “Para o açúcar, não há substituto. Para o álcool, há a gasolina”, disse hoje, ao apresentar o estudo da Conab.

A produção total de etanol na safra 2011/2012 de cana é calculada pela Conab em 27,090 bilhões de litros, o que representa queda de 1,83% em relação aos 27,595 bilhões de litros da safra 2010/2011. O volume de cana-de-açúcar destinado ao etanol é estimado em 333,101 milhões de toneladas, o que representa retração de 1,11% ante o total de 336,840 milhões de toneladas da safra anterior.

Já a oferta de açúcar deverá atingir a marca de 40,935 milhões de toneladas, alta de 7,25% ante as 38,168 milhões de toneladas da safra passada. O total de cana destinado à produção de açúcar é estimado em 308,880 milhões de toneladas, 7,6% a mais que o total de 287,064 milhões de toneladas da safra passada.

“A questão do açúcar é bastante delicada. O mundo precisa de açúcar. E não teríamos problema menor se tivéssemos desabastecido o mercado de açúcar”, argumentou Bertone. A preferência do setor pela produção de açúcar justifica-se pelos bons preços pagos internacionalmente pelo produto. Em contrapartida, esse cenário gerou falta de etanol no mercado interno, exigindo reações do Palácio do Planalto. O governo, entre outras medidas, decidiu que o álcool será considerado um produto estratégico. Com isso, o etanol passou a ser tratado como combustível, sob o controle da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O Planalto também pediu que a Petrobras ampliasse os investimentos no setor sucroalcooleiro.

“O etanol vai se ajustar à demanda através dos preços”, disse Bertone. Ele alertou que os preços do álcool caíram brevemente, por causa da colheita da nova safra, mas sem quedas bruscas e de grandes valores, pois a oferta não suprirá toda a demanda. Segundo o secretário, o governo consegue “influenciar um pouco, mas não controlar o mercado”.

O secretário de Produção e Agroenergia do MAPA defendeu que o setor sucroalcooleiro não conseguiu se recuperar dos efeitos da crise econômica de 2008 e, portanto, ficou impedido de elevar os investimentos no setor. Segundo Bertone, a produção de cana crescia a mais de 10% ao ano antes de 2008 e passou a ter um “crescimento marginal” de 3% ao ano depois da crise. Para o secretário, a solução para a escassez de álcool virá, somente em médio prazo, com políticas de investimento no setor, reforçando também a produção de cana.

O diretor de Política Agrícola e Informação da Conab, Sílvio Porto, entretanto, destacou que os preços do álcool caíram cerca de 20% nas últimas duas semanas e deverão diminuir ainda mais, à medida que avançar a colheita da nova safra. Em relação ao quadro recente de escassez de álcool, Porto destacou que o Brasil encerrou a safra 2010/2011 de cana-de-açúcar com estoque final de 3 bilhões de litros de álcool, frente 528 milhões de litros em 2009/2010. “Não havia motivos para tamanho descompasso de preços. Suscita certa manipulação na liberação desses estoques”, disse Porto.