Um panorama da evolução e da utilização de programas de código aberto em toda a América Latina poderá ser visto na 1.ª Conferência Latino-Americana de Software Livre, a Latinoware 2004. O evento começa nesta segunda-feira (8/11), em Foz do Iguaçu, e tem programação aberta ao público até quarta-feira, no centro de convenções do Hotel Rafain Palace. Nos últimos dois dias da semana, a participação será restrita a instituições ligadas ao software livre.

Nos dias abertos ao público, serão relatadas experiências de projetos em software livre desenvolvidos na Nicarágua, Chile, Argentina, Brasil, Bolívia, Uruguai e Peru. Também entrarão em debate questões como a distribuição e o uso de software, o emprego desses programas na educação à distância e em administrações municipais e o processo de migração.

Estão confirmadas as presenças de profissionais renomados do software livre mundial, entre eles o costa-riquenho Jacó Aizenman, do Free Software Consortium, o diretor executivo da Gnome Foundation, Tim Ney, e Jon “Maddog” Hall, diretor executivo da Linux International.

Opção estratégica

Ao contrário do software proprietário, o software livre permite que qualquer programador acesse as configurações do sistema. Portanto, não há pagamento de royalties pelo uso, enquanto empresas fabricantes de software proprietário cobram uma taxa anual de licenciamento. No software livre, modificações ou desenvolvimentos do programa podem ser feitos por qualquer profissional, sem exclusividades para a empresa que o comercializa.

Quando esteve em Foz do Iguaçu para lançar a Latinoware, em outubro, o diretor da Linux definiu a adoção do código aberto como uma “opção estratégica”. De acordo com Maddog, o desenvolvimento de software livre pode movimentar economias locais e também garantir autonomia às nações, por não criar dependência fixa de empresas estrangeiras.

Um exemplo de como a adoção do software livre pode trazer benefícios é a economia prevista com o Programa Software Livre Itaipu (PSL-Itaipu). O coordenador do programa, Jaime Nelson Nascimento, estima que hoje a empresa gaste aproximadamente US$ 850 mil por ano em licença de software proprietário: “A expectativa é de que 85% dos programas migrem para o código aberto até 2008, gerando uma economia de ao menos 50%”, sustenta Nascimento.

Inscrições para a conferência

A Latinoware 2004 é promovida em parceria pela Itaipu Binacional, Governo do Paraná e Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (Casa Civil da Presidência da República). A abertura oficial será realizada na terça-feira, às 19h, com a presença do diretor-geral brasileiro de Itaipu, Jorge Samek, e apresentação do grupo musical Raízes Latinas. As inscrições podem ser feitas no local e custam R$ 40.