O Índice de Confiança da Construção (ICST) avançou 0,8% entre março e abril, alcançando 76,8 pontos, informou o Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV). O resultado é o primeiro positivo depois de quatro quedas consecutivas. Somente nos três primeiros meses de 2015, o índice havia recuado 20,1%, chegando ao menor patamar da série histórica iniciada em julho de 2010.

Apesar do avanço, a série em médias móveis trimestrais mantém a tendência negativa e a variação interanual, sem ajuste sazonal, em relação a abril de 2014 é de -29,2%.

Em nota, a coordenadora de projetos da construção da FGV/IBRE, Ana Maria Castelo, argumenta que a “pequena melhora no mês” ainda não pode ser comemorada. “Os indicadores correntes da atividade seguiram em declínio nos primeiros meses do ano. As demissões continuam elevadas em todos os segmentos da construção, com o estoque de trabalhadores em março retrocedendo ao patamar de junho de 2011”, afirma Ana Maria.

Em abril, a alta do ICST ocorreu predominantemente nos segmentos ligados às obras de infraestrutura: em Obras de Infraestrutura para Energia Elétrica e Telecomunicações, o indicador variou +7,5% em relação a março; em Obras Viárias, +6,1% e em Obras Especiais, +3,3%.

Perspectiva positiva

O Índice de Expectativas (IE-CST) subiu 3,7% em abril, após recuar 7,1% em março, com contribuição expressiva dos segmentos relacionados à área de infraestrutura. O indicador, que mede o grau de otimismo dos empresários em relação à situação dos negócios nos seis meses seguinte, variou +5,4%, ante -8,9% em março, atingindo 95,1 pontos.

Na avaliação da FGV, as sinalizações dadas pelo governo federal de uma possível retomada do programa de concessões a partir de maio podem ter influenciado na melhora relativa das expectativas para os negócios.

Já a percepção quanto à situação atual manteve-se em queda, embora a taxas menos expressivas: depois uma queda de 9,9% em março, o índice cedeu 2,9%. A queda do Índice da Situação Atual (ISA-CST) em abril foi influenciada especialmente pelo indicador que mede o grau de satisfação com situação atual dos negócios, que declinou 5,7% em relação ao mês anterior, atingindo 64,5 pontos.

Um ponto que a coordenação da pesquisa do ICST destaca em nota é a dificuldade para obtenção de crédito. Em abril, 34,1% das empresas indicaram dificuldade de acesso, enquanto apenas 7,2% não registraram dificuldades, levando o indicador a atingir o pior resultado da série. Há um ano, esses porcentuais eram de 20,6% e 12,1%, respectivamente.