O Congresso da Argentina concedeu sua aprovação final para o Orçamento da presidente Cristina Kirchner para 2014. Além disso, o Legislativo também aprovou uma legislação que estende poderes de emergência a Kirchner.

O orçamento prevê um aumento de 19,2% nos gastos, para 859,5 bilhões de pesos argentinos (US$ 149 bilhões). As receitas fiscais deverão aumentar quase 26%, para 1,1 trilhão de pesos. Muitos acreditam que os Orçamentos de Cristina Kirchner subestimam profundamente inflação, o que pode levar a uma receita significativamente maior do que as descritas no Orçamento.

O Orçamento prevê uma taxa anual média de 10,4% na inflação no próximo ano, após 10,3% em 2013. Isso é menos da metade do que a maioria das estimativas do setor privado de entre 20% e 25% para 2014. A inflação tem sido igual ou superior a 20% durante quase quatro anos, devido à elevada despesa do governo financiada, em parte, pela impressão de dinheiro, dizem economistas.

O Orçamento também estima um crescimento econômico de 5,1% este ano e de 6,2% em 2014. Muitos economistas dizem que essas previsões não são realistas para uma economia que sofre de alta inflação e da fuga de capitais, o que obrigou o governo a racionar suas reservas em moeda estrangeira ao reduzir importações.

No Orçamento, a administração Kirchner destina 77,2 bilhões de pesos para a manutenção da dívida pública em 2014, um aumento de 73% a partir deste ano, enquanto as obrigações ligadas ao Tesouro devem significar o pagamento de 81,4 bilhões de pesos. Mais da metade da dívida do governo federal é mantida pelo governo, através da agência de fundo de pensão.

Cristina Kirchner também planeja continuar sua controversa política de tomar empréstimos das reservas em moeda estrangeira do banco central para pagar seus credores. Esses empréstimos deverão somar US$ 9,86 bilhões em 2014, e tudo o que não é gasto em dívida será usado para financiar obras públicas.

As reservas caíram para uma mínima em seis anos e meio de cerca de US$ 34,7 bilhões, uma vez que as saídas de moeda estrangeira na forma de pagamento da dívida e das importações de combustível excedem os fluxos de entrada de dólares de exportações.

O Senado também aprovou projetos de lei que estendem até o final de 2015 um imposto de transações financeiras e poderes de emergência que foram originalmente promulgados em 2002 durante a pior crise econômica do país em sua história moderna.

Esses poderes permitem que a presidente, entre outras coisas, regule a taxa de câmbio, assim como de preços de outros bens e serviços “críticos”. Tarifas de gás natural residencial, eletricidade e água foram congeladas por mais de uma década. Fonte: Dow Jones Newswires.