O Paraná será autossuficiente na produção de fertilizantes com a instalação de uma fábrica de ureia. É o que garantem os representantes das empresas que irão compor o Consórcio Azoto Paraná (Conapar), formalizado através de um contrato assinado ontem na sede do Sindicato e Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar).

Formaram o Conapar a Cooperativa Nacional Agroindustrial (Coonagro) e as empresas Macrofértil, a curitibana Península e Unisoft. O grupo será responsável por fazer, em até um ano, os estudos necessários para a abertura da fábrica, que tem investimento previsto na ordem de U$ 300 milhões, gerará cerca de 300 empregos diretos. A expectativa é que ela seja capaz de produzir 330 mil toneladas de ureia por ano.

A quantidade, somada à produção da única fábrica do ramo no estado, trará autossuficiência ao Paraná que, atualmente, é dependente de importações. Em 2009, o país produziu 27% do Nitrogênio (matéria prima da ureia) e importou 73% do que foi consumido.

“O Paraná é o terceiro maior consumidor de fertilizantes no Brasil, mas ainda é dependente externo desse consumo. A fábrica trará condições favoráveis a logística e produção”, lembra Edézio Castelassi Filho, presidente da Macrofértil.

De acordo com o diretor executivo da Coonagro, Daniel Dias, apenas os 50 mil produtores das 20 cooperativas filiadas a eles consomem anualmente 150 mil toneladas de ureia por ano.

A tecnologia da fábrica, que será importada da China através das parcerias da Unisoft, facilitará a produção. “Já temos certeza da viabilidade do projeto depois das reuniões que tivemos com o governo e com os bancos. Começaremos hoje a agendar com os órgãos do poder público reuniões para garantir o fornecimento de nitrogênio”, explica Daniel.

Demanda

Se hoje são consumidas 750 mil toneladas de ureia no estado, em cinco anos esse número deve dobrar. “De fábrica, em 2012, os carros brasileiros já deverão sair com ureia como catalisador. Essa é uma decisão mundial para reduzir a emissão de poluentes”, ressalta Daniel.

Com o aumento da demanda, é provável que o preço do produto no mercado internacional aumente ainda mais. “O preço internacional é muito volátil. O Conapar será capaz de regular a rentabilidade dos produtores”, garante Erick de Oliveira Santos, representante da Península.

O presidente da Cooperativa Agropecuária e Industrial (Cocari), Vilmar Sebold, concorda. “Vai dobrar a demanda, o preço do mercado internacional vai subir e os produtores terão dificuldade de usar a ureia na lavoura. A fábrica servirá como balizadora de preço de mercado, trazendo equilíbrio e mais segurança de fornecimento”, afirma.