Por definição, o sistema de consórcios é um grupo de pessoas que almejam o mesmo bem e que, para não arcarem com juros, contribuem com parcelas iguais, o que permite reunir o capital necessário para a compra e, assim, sorteiam entre si cada aquisição.

No Paraná e em todo o território nacional essa modalidade de financiamento cada vez mais se reafirma como um meio de se disciplinar a poupar para, então, adquirir o tão desejado produto ou serviço.

Seja por uma explicação ou pela outra, o fato é que esse mercado teve ampla adesão dos brasileiros, a ponto de passar a ser regulamentado pelo Banco Central e, mais recentemente, contar com um novo aliado, a Caixa Econômica Federal que, a partir de março deste ano, regulamentou, via Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, o uso do FGTS para amortização, liquidação do saldo devedor e até para pagamento de parte das prestações dos consórcios de imóveis.

Tal decisão, vem impactando mês a mês os números de contratação dos mais variados tipos de consórcio. Até julho, o setor já registrava 1,02 milhão de novos consorciados, 10,1% mais que o mesmo período de 2009.

Para o segunda parte do ano, as previsões são ainda melhores. A Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC) projeta que a entrada de novos consórcios no segundo semestre de 2010 duplique.

“Acredito em um crescimento de 20% no mercado brasileiro de agosto até dezembro e, sem dúvida, esse aumento será puxado pelos imóveis”, avalia o presidente da regional Paraná e diretor superintendente do Consórcio Araucária, Reinaldo Bertini. “E as administradoras de consórcio do Paraná seguirão perfeitamente a tendência”, afirma Bertini, informando que no estado estão em atividades 20 empresas regulamentadas e fiscalizadas pelo BC.

A flexibilização do uso do FGTS para o consórcio de imóveis tem um peso considerável no crescimento do sistema, porém, nem de longe é o único catalisador da expansão do setor.

A crescente ampliação do poder de compra de todas as classes, principalmente das C e D (com forte demanda reprimida) e a evolução na maneira do consumidor planejar seus gastos, consolidam dia a dia o consórcio como uma poderosa ferramenta de consumo e investimento.

“Notamos que as pessoas estão podendo escolher artigos mais valiosos. Em automóveis leves, por exemplo, o ticket médio (valor médio da cota) saltou de R$ 27,7 mil para R$ 39,7 mil”, aponta.

Quanto ao investimento propriamente dito, para aqueles que usam o consórcio com esse intuito, vale a informação de que as cotas pagas garantem um rendimento acima dos índices de inflação. “Normalmente a correção das cotas acompanha os índices da taxa de juros (Selic)”, conta Bertini.

Possibilidades variadas

A maturidade do setor já atingiu tamanho grau de aperfeiçoamento que o consumidor encontra uma infinidade de bens e serviços que são viabilizados pelo sistema de consórcio.

De carros a cirurgias, o consorciado tem a oportunidade de transformar parte do salário em cotas e realizar melhores negócios no momento da contemplação, quando se pode utilizar o crédito para a aquisição de determinado bem ou serviço.

Com isso, a fidelização dos clientes ocorre naturalmente. “Mesmo que no futuro, eventualmente, seja mais difícil o uso do FGTS, por exemplo, as pessoas ainda terão na própria sistemática do consórcio muitos meios de atingir suas metas”, assegura Bertini.

Segurança contra fraudes

Antes de contratar qualquer consórcio, a ABAC orienta os consumidores a se certificar junto ao BC se a administradora está cadastrada no órgão. Além disso, é possível consultar a ABAC sobre o funcionamento d,o consórcio para afastar qualquer risco de fraude.

“Infelizmente existem empresas que usam o nome do consórcio para lesar as pessoas, em geral, eles prometem coisas impossíveis como a garantia de ser sorteado no primeiro mês e os contratos apresentados são de compra e venda, diferente do sistema de cotas”, alerta Bertini. O telefone da ABAC é: (11) 3231-0522 ou acesse o site www.abac.org.br

Histórias de quem conquistou o que queria

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Ana Paula: sonho realizado de prótese e correção do nariz.

“Quando você menos espera é sorteado e se sente recompensado pelo esforço de poupar”. É dessa forma que a serventuária da Justiça, Denize Rosa, de 57 anos, explica o gosto por adquirir consórcios.

Ela começou em 1985, para adquirir um carro e de lá para cá não parou mais, mesmo quando foi vítima de uma fraude. Atualmente, ela participa de 11 consórcios diferentes que variam de carros a viagens.

“Gosto de pegar a contemplação no final, pois fica perto da quitação”, revela. Perita no assunto, a moradora de Colombo, costuma reunir os conhecidos para “consórcios” de produtos de beleza ou até dinheiro. “São quantias bem pequenas entre R$ 10 e R$ 100 que, mensalmente, premiam alguém e diverte a todos”.

O aumento no poder aquisitivo tem gerado um decréscimo nas vendas de cotas de eletroeletrônicos de 11%. No entanto, o ticket médio da cota desse tipo de bem cresce a 140%.

Em sintonia com a elevação do padrão de consumo, em abril de 2009, as administradoras lançaram mão de uma nova modalidade: o consórcio de serviços, no qual os contemplados podem usar o crédito para saúde e estética, festas e eventos, turismo e educação.

Em 17 meses de vigência, a opção serviços já conta com 4,6 mil participantes e de janeiro a junho de 2010, vendeu mais de 2,3 mil cotas. O setor de saúde e estética responde por 29,4% das contemplações já realizadas.

Graças ao consórcio que, estudante Ana Paula Dena, 23 anos, conseguiu realizar o sonho de colocar prótese de silicone e corrigir o nariz. “Comecei a trabalhar como auxiliar administrativo só para juntar o dinheiro na poupança, mas não resistia e gastava. Somente com o compromisso do consórcio que realizei as cirurgias que eu queria desde os 18 anos de idade”, comemora a estudante, revelando que conseguiu ser sorteada logo no primeiro mês.

“Operei no dia 31 de janeiro, escolhi tudo, do hospital aos profissionais e, para que o consórcio efetuasse o pagamento, só precisei apresentar as notas fiscais”, explica. (MM)

Modelo de venda foi um dos pilares da indústria automotiva

Ao longo da história recente do país, o sistema de consórcios não serviu somente para aprimorar gradualmente a educação financeira do brasileiro que ainda compra por impulso, sem avaliar os juros embutidos em parcelas que “cabem no orçamento”.

O sucesso da implantação da indústria automobilística que, hoje, influencia de forma determinante o desenvolvimento econômico nacional, também é atribuído ao sistema de consórcio.

Isso porque, na década de 60, o financiamento e as linhas de crédito bancárias eram escassos e não tinham a sofisticação atual para atender a forte demanda da população que desejava adquirir os veículos. 

A história da indústria automobilística se confunde com a própria origem do sistema no Brasil, em 1962, quando um grupo de funcionários do Banco do Brasil se organizaram para comprar um carro e, para não pagar juros, fizeram algo semelhante a estrutura de consórcio. (MM)