No dia em que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro ficou próximo de 0 no terceiro trimestre (exatos 0,7%), uma das locomotivas da geração de riqueza no País – a indústria da construção civil – divulgou nesta terça-feira (6) indicadores e projeções muito acima dos demais setores da economia. Pelo balanço anual do Sindicato da Construção Civil no Paraná (Sinduscon-PR), o Estado acompanha os números do País, que apontam para um crescimento de 4,8% neste ano e 5,2% para 2012, índices bem acima do que se projeta para o PIB (3% para 2011 e 4,8% para 2012).

Essa expansão, em Curitiba, tem como um dos principais respaldos o cronograma de obras de infraestrutura que a capital ainda precisa cumprir visando a Copa de 2014 e que se intensificará em 2012. “Este ano foi uma prévia do que ainda está por vir e reforça a crença de que atingiremos 5,2% de incremento no VAB (Valor Adicionado Bruto)”, informa o presidente do Sinduscon-PR, Normando Antonio Baú. O VAB é uma espécie de PIB do setor, ou seja, também mede a geração de riqueza.

Nesse cenário, a ideia de que os preços dos imóveis poderiam recuar diante da influência da retração econômica mundial não deve se confirmar; pelo contrário, a tendência é de uma leve valorização por conta do aumento no custo de produção. “No mercado formal, o setor emprega hoje, em Curitiba, cerca de 74 mil profissionais. Precisamos aumentar em 10% o número de profissionais qualificados para dar conta das obras de infraestrutura e dos projetos das construtoras”, avalia o 2º vice-presidente administrativo do Sinduscon-PR, Euclesio Manoel Finatti.

Ele admite que apesar da entidade se antecipar a essa demanda investindo em formação de novos profissionais, a disputa mais acirrada por mão de obra em 2012 deve impactar no custo de produção dos imóveis e uma pressão sobre os preços do metro quadrado na capital. Para garantir a conclusão das obras, a saída passará pela oferta de melhores salários, como vem ocorrendo. Nos últimos sete anos o piso salarial passou de R$ 615,50 para R$ 1.369,70, ou seja, uma evolução de 123%. “A valorização veio acompanhada da incorporação de novas tecnologias no canteiro de obras e na transformação do status social da profissão de pedreiro”, aponta o diretor executivo do Sinduscon-PR, João Guido de Castro Campelo.

Crédito imobiliário sustenta otimismo

Pelo tamanho da área total liberada para a construção, a confiança das construtoras no desempenho do setor segue em alta. Em 2010, foram liberados 3,981 milhões de metros quadrados em área para construção em Curitiba. Para 2011, o total de alvará superará 4 milhões de metros quadrados, 0,5% de aumento. Para o presidente do Sinduscon-PR, a confiança dos empresários se sustenta, principalmente, por conta de fatores como baixas taxas de desemprego, aumento da massa salarial (com a política de reajuste de salário mínimo influenciando outros setores) e crédito imobiliário.

“Enquanto a torneira do crédito não fechar, não há uma ameaça que nos obrigue a rever as projeções de um crescimento sustentável para os próximos anos”, explica. Neste ano, em todo o País, o montante liberado em financiamento imobiliário deve chegar a R$ 120 bilhões, 43% acima de 2010.