A construção civil do Estado de São Paulo conseguiu no primeiro semestre deste ano recuperar plenamente as vagas fechadas por conta da crise, e a construção brasileira está próxima dessa recuperação. É o que mostra a pesquisa mensal de emprego do SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo) feita em parceria com a FGV Projetos.

Em junho, a construção paulista abriu 3.472 vagas com carteira assinada (alta de 0,56% em relação a maio), totalizando a abertura de 28.803 novos empregos no primeiro semestre. Com isso, superou as 17.950 demissões ocorridas em novembro e dezembro de 2008. Este desempenho foi mais acentuado no município de São Paulo, onde foram fechados 6.875 empregos na construção em novembro e dezembro de 2008, mas abertos 15.829 de janeiro a junho de 2009; destes, 2.442 foram criados no mês de junho (alta de 0,82% em relação a maio).

Já a construção civil brasileira abriu em junho mais 20.372 empregos (crescimento de 0,94% em relação a maio), totalizando 94.580 no primeiro semestre. Segundo nota do SindusCon, falta pouco para recuperar os 109.086 postos de trabalho fechados nos dois últimos meses de 2008.

O presidente do SindusCon-SP, Sergio Watanabe, diz em nota que “se por um lado os números confirmam que as construtoras seguem com um ritmo de atividades elevado em 2009, por outro, uma leitura mais atenta mostra mudanças importantes em relação a 2008, especialmente no ritmo e na dinâmica do crescimento”. No que diz respeito ao ritmo, houve uma sensível desaceleração. No primeiro semestre de 2009, os 94,6 mil novos empregados representaram um crescimento de 8,4%. No mesmo período de 2008, o ritmo de crescimento do emprego formal era quase o dobro: o número de trabalhadores contratados passava de 185 mil, a taxa acumulada no ano até junho era de 16% e vinha em ritmo crescente.

Watanabe lembra que nos últimos meses de 2008 e nos primeiros de 2009 houve uma parada nos mercados imobiliários provocada pela queda drástica das vendas. Em decorrência, os lançamentos também caíram. De janeiro a junho, o número de lançamentos realizados na região metropolitana de São Paulo foi 55% menor que o do mesmo período de 2008. “O efeito dessa retração sobre o emprego deverá ser percebido com mais intensidade a partir do segundo semestre”, afirma.

Outra mudança importante nesse semestre ocorreu na dinâmica do crescimento: as obras de infraestrutura passaram a gerar mais empregos, segundo o presidente do SindusCon-SP. “Em 2008, 45% das vagas geradas no primeiro semestre ocorreram na área imobiliária e apenas 22% foram geradas na área de infraestrutura. Em 2009, essa relação quase se inverte: 29% das vagas, o que representa 27,6 mil empregos, foram criadas na área imobiliária, e 32%, ou 30,7 mil, no segmento de infraestrutura. Nos dois últimos meses, o início das obras de Jirau fez o emprego na região Norte aumentar 6%.”

O presidente do SindusCon-SP destaca que a desaceleração esperada da área imobiliária pode ser revertida com o início das obras do Programa Minha Casa, Minha Vida. “Mas isso dependerá da velocidade de aprovação dos projetos e do início das obras”, completa.