O consumo de gás natural no Brasil continua a apresentar forte crescimento, agora com um peso maior da demanda industrial. Segundo dados da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás), as vendas do insumo registraram alta de 14,4% em fevereiro de 2011 frente ao mesmo período de 2010, passando de 41,49 milhões de metros cúbicos por dia para 47,49 milhões de metros cúbicos por dia. Excluindo a demanda térmica, a expansão do consumo dos demais segmentos foi de 10,2% nesse intervalo, para 39,45 milhões de metros cúbicos por dia.

De acordo com a entidade, distribuidoras estaduais apuraram vendas para as indústrias de 28,83 milhões de metros cúbicos por dia em fevereiro de 2011, alta de 13,2% sobre os 25,46 milhões de metros cúbicos por dia apurados em igual mês de 2010. Isso demonstra o impacto positivo do crescimento da economia brasileira na demanda pelo produto. Outro segmento ligado à classe industrial, o de cogeração, teve aumento de 32,3% no período em questão no consumo, alcançando 3,23 milhões de metros cúbicos por dia.

O consumo de gás natural pelas termelétricas aumentou 40,5% no período, passando de 5,72 milhões de metros cúbicos por dia para 8,04 milhões de metros cúbicos por dia. Isso significa uma forte queda na comparação com os volumes verificados desde o segundo semestre de 2010, quando o uso do gás para geração elétrica superou a casa dos 20 milhões de metros cúbicos por dia. Contudo, o volume de 8,04 milhões de metros cúbicos por dia é bastante elevado para o período, já que essa época do ano é caracterizada por elevados níveis de água nos reservatórios das hidrelétricas – nessas situações, o governo opta por intensificar a geração das hidrelétricas por ser uma fonte de energia mais barata.

Os dados da Abegás também mostram um crescimento nos mercados de pequenos volumes. As vendas para a classe residencial aumentaram 7,6% no período, para 591,3 mil metros cúbicos por dia. Já o consumo do segmento comercial aumentou 14,8%, para 636,3 mil metros cúbicos por dia. Em contrapartida, a demanda por gás natural veicular (GNV) recuou 5,02%, para 5,40 milhões de metros cúbicos por dia, mantendo a trajetória de retração apurada nos últimos anos.

No ranking das concessionárias, as empresas do Estado de São Paulo lideraram as vendas de gás, com um volume de 16,12 milhões de metros cúbicos por dia. As distribuidoras do Rio Janeiro aparecem em segundo lugar, com 12,54 milhões de metros cúbicos por dia, seguida pela Bahia, com 3,76 milhões, pelo Espírito Santo, com 3,60 milhões, e por Minas Gerais, com 2,84 milhões de metros cúbicos por dia.