Limpar os ativos dos bancos, aplicar uma política monetária expansiva para aumentar a liquidez do mercado e promover uma política fiscal expansiva para ampliar a demanda são as três propostas para sair da crise apresentadas hoje pelo diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do Fundo Monetário Internacional (FMI), Nicolas Eyzaguirre. Ele falou na Reunião Extraordinária dos Ministros Ibero-Americanos das Finanças, que ocorre em Portugal e vai formular propostas a serem apresentadas na reunião do G-20, em abril.

A primeira medida, citou Eyzaguirre, é limpar os balanços dos bancos. “Esta é a raiz do problema nas economias avançadas e deve-se tomar medidas firmes nesse sentido para garantir o êxito das outras medidas políticas.” Quanto à América Latina, para o diretor do FMI, os sistemas bancários não estão sujeitos a tensões tão fortes como em outras regiões e, apesar de variações entre os países, não se sente o problema de insuficiência do capital dos bancos como nos Estados Unidos.

No entanto, a situação não é tão positiva em relação às políticas anticíclicas. “Lamentavelmente nossos países estão em desvantagem em relação às economias avançadas na hora de aplicar as políticas anticíclicas. Nossos países não têm uma moeda de reserva, ainda devem alcançar uma maior credibilidade a longo prazo e, portanto, têm restrições mais severas para a aplicação dessas políticas. As economias mais sólidas e mais bem preparadas têm maior margem de manobra, mas mesmo essas têm limitações.”

Eyzaguirre afirmou que, nos países com câmbio flexível, a política monetária pode ser um caminho para combater a crise, mas com margem de utilização limitada. Em relação à expansão fiscal, o problema é que poderia ser vista pelos mercados como permanente e gerar dúvidas sobre a sustentabilidade da dívida.

Ele disse que é necessário um alto grau de coordenação das políticas adotadas contra a crise, que seria benéfico se houvesse um maior fluxo de recursos para os mercados emergentes e que o FMI necessita de mais recursos financeiros. “Um primeiro passo seria duplicar a capacidade de financiamento do FMI, mas ainda não foi dado nem esse passo inicial.”

Regulação financeira

Eyzaguirre apresentou algumas ideias para a nova regulação financeira internacional. Entre elas, ampliar o perímetro regulatório para incluir todas as atividades que implicam riscos para a economia, incluindo entidades e atividades que não fazem parte do sistema de instituições de depósitos. Propõe também ampliar o leque de entidades e atividades financeiras sujeitas a declarar dados. Outras propostas incluem fixar limites regulatórios para conter a alavancagem, ter em conta os fenômenos cíclicos e a dimensão das instituições financeiras nas regulações e garantir uma maior transparência na avaliação dos instrumentos financeiros complexos e das transações fora do mercado.