Mesmo com redução nos lucros, devido às perdas com a estiagem e queda nos preços dos produtos agrícolas, as cooperativas do Paraná estão injetando recursos em ampliações e novos produtos. A industrialização será o foco principal, ao contrário da ampliação de áreas cultivadas.

A cooperativa Cocamar, de Maringá, pretende ampliar o parque industrial, pois hoje a industrialização já responde por 60% do faturamento. São fábricas de refino e envase de óleos vegetais, fiação de algodão e seda, torrefadora de café, destilaria de álcool, suco concentrado e congelado, néctares de frutas, maioneses, atomatados e molhos. O superintendente comercial e industrial da cooperativa, Celso Carlos dos Santos Júnior, destaca investimentos na produção de farinha de trigo e soja, bem como de vinagre de álcool, que deverá estar no mercado em um ano.

A linha de óleos especiais também receberá atenção, já que esse é um segmento que cresce cerca de 6% ao ano no Brasil. Além dos óleos de canola, soja, milho e trigo, a Cocamar tem investido no girassol, cuja cultura foi uma alternativa para a diversificação nas propriedades – apesar dos produtores estarem enfrentando problemas com o ataque de pombas nas lavouras. Mas a ?menina dos olhos? da cooperativa no momento são as bebidas à base de soja (BBS). Segundo Santos Júnior, as bebidas Purity foram lançadas em 2003 e hoje detêm mais de 15% do mercado em São Paulo. Até 2006 a Cocamar também irá fabricar iogurte de soja.

Malte

De cada seis cervejas consumidas no Brasil, uma é feita com malte produzido na Cooperativa Agrária Entre Rios, em Guarapuava. E com a pretensão de ampliar essa margem, a cooperativa vem negociando junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) recursos na ordem de R$ 60 milhões para a construção de uma nova unidade industrial – R$ 20 milhões serão recursos próprios -, que ampliará em 50% a produção de malte – hoje atinge 150 mil toneladas. O diretor financeiro da Agrária, Arnaldo Stock, afirma que, desde que os recursos sejam liberados, teriam condições de colocar a unidade fabril em atividade no prazo de 18 meses.

A Cooperativa Coamo, de Campo Mourão, projetou investir R$ 140 milhões – no biênio 2004/06 – na melhoria e abertura de novos entrepostos – atualmente são 84 unidades de recebimento de produtos em 51 municípios do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul com capacidade de armazenamento de 3,3 milhões de toneladas. Nos próximos meses a Coamo também ampliará a produção de margarina, prestando serviços para uma empresa que ingressará no mercado. A meta é atingir 240 mil potes/dia.