A vitória na disputa pela concessão da hidrelétrica Colíder, no Rio Teles Pires (MT), no leilão de energia de ontem tem um caráter estratégico para a estatal paranaense Copel.

Ao mesmo tempo em que representa o primeiro investimento da Copel no segmento de geração fora do Estado do Paraná, o sucesso na licitação significa a presença da companhia na região que apresenta o grande potencial hidrelétrico do País, a Bacia Hidrográfica do Rio Tapajós.

“Essa bacia terá várias hidrelétricas licitadas pelo governo. A presença nessa região pode nos trazer uma vantagem no futuro”, disse o presidente da Copel, Ronald Ravedutti, em entrevista exclusiva à Agência Estado.

Os principais projetos a serem licitados pelo governo federal nos próximos meses estão na Bacia do Rio Tapajós, tais como as quatro hidrelétricas do Rio Teles Pires (3,27 mil MW de capacidade instalada) e outras usinas do Rio Tapajós, com potencial superior a 10 mil MW.

“Tínhamos que expandir para uma região fora do Estado do Paraná que apresentasse um potencial de crescimento. A região da usina Colíder preenche esse perfil que buscávamos”, justificou o executivo.

O marco na virada da visão estratégica da Copel ocorreu quando o então governador Roberto Requião se licenciou do cargo para disputar uma vaga no Senado Federal, ao final de março passado.

O novo governador, Orlando Pessuti, determinou que a estatal tivesse uma postura mais agressiva nos leilões de transmissão e geração, incentivando, inclusive, a expansão para outros Estados do País.

“A Copel tinha que expandir para além do Paraná, porque os melhores projetos de geração já estavam nas mãos de terceiros. Novos estudos começaram a ser realizados no Estado, mas isso vai demorar. E a Copel não pode esperar”, resumiu Ravedutti, presidente da estatal desde abril deste ano.

Prova dessa nova postura foi o desempenho da companhia último no leilão de transmissão, quando a Copel ganhou a concessão de dois ativos em São Paulo, o primeiro investimento em território paulista.

Conquistada a concessão de Colíder, a Copel começará a trabalhar no projeto de otimização da usina. No momento, a companhia ainda usa como base os números da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) para o orçamento da usina, cujo investimento é estimado em R$ 1,26 bilhão.

“Mas, sem dúvida, vamos trabalhar em otimizações para a usina”, disse Ravedutti. A estatal ganhou a concessão do projeto negociando 70% da energia assegurada para o mercado cativo ao preço de R$ 103,40/Mwh. Pelo contrato de concessão, a hidrelétrica deve entrar em operação comercial em janeiro de 2015.

O executivo afirmou que a estatal já assinou uma série de contratos para a implantação do projeto, como as obras civis e os equipamentos. “Não poderíamos participar do leilão sem ter isso acertado”, disse.

Os contratos foram firmados com a Engevix, a Desenvix, a J. Malucelli, a VLB Engenharia, a CR Almeida e a Impsa. “É um grupo forte e que tem um grande conhecimento do projeto”, destacou.

A estatal também pretende contar com os recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiar 70% dos investimentos. “Esse é um projeto do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Os recursos do BNDES são garantidos, e queremos contar com isso”, reforçou.