A Copel registrou um lucro líquido de R$ 224 milhões no primeiro trimestre de 2010, resultado tido como “adequado” pela direção da Companhia e que se mostrou compatível com as projeções dos analistas de mercado de grandes instituições financeiras.

No balanço trimestral divulgado ontem ao mercado financeiro, a Copel revelou outros indicadores importantes: sua receita operacional líquida alcançou R$ 1,5 bilhão e a capacidade de geração de caixa (medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) atingiu R$ 324 milhões.

Comparativamente ao lucro líquido obtido no primeiro trimestre de 2009, que atingiu R$ 272 milhões, o resultado neste ano apresentou retração de 17,7%. Porém, quando comparado ao lucro líquido do trimestre anterior de R$ 180 milhões nos últimos três meses de 2009 o resultado apurado significa um crescimento de 24,4%.

Para o presidente da Copel, Ronald Ravedutti, tais variações são decorrência da crise econômica mundial que começou no final de 2008, mas cujos efeitos só começaram a ser superados um ano depois.

“Estamos considerando dois momentos completamente distintos de uma mesma crise”, disse ele. “No início de 2009, o mercado consumidor de energia elétrica ainda estava aquecido e, no último trimestre, estava começando a se recuperar”.

Em vista desses cenários opostos, Ravedutti situa o resultado do primeiro trimestre de 2010 da Copel como “um forte indicativo de que as incertezas e turbulências provocadas pela crise já foram superadas”.

O melhor exemplo disso, em seu entendimento, está no acelerado crescimento do consumo de energia elétrica no mercado cativo da Companhia, de 8,2%. Os principais destaques foram o segmento industrial (cujo consumo aumentou em 10% na comparação entre os três primeiros meses de 2010 e de 2009) e o setor de comércio e serviços (com elevação de 9,8% no mesmo período).

“Temos razões para acreditar que o Paraná já voltou a crescer no mesmo ritmo e nos mesmos níveis de antes da crise, e a Copel vai crescer junto”, afirmou.

O endividamento da Companhia, que já era pequeno, diminuiu ainda mais: em 31 de março, o total das dívidas era de R$ 1,52 bilhão, ou o equivalente a 16,9% do patrimônio líquido.

“Em vista das disponibilidades que mantém em caixa, a Copel hoje tem uma dívida negativa de R$ 126 milhões”, observou Ronald Ravedutti. “Isso quer dizer que se a empresa quisesse liquidar todas as suas dívidas decorrentes de financiamentos, empréstimos e outras operações, ainda sobrariam no caixa R$ 126 milhões”, explicou. “Isso nos coloca numa situação extremamente confortável, principalmente no tocante à disponibilidade de recursos para concretizar nosso programa de investimentos, de R$ 1,3 bilhão, que é o maior em toda a história da Companhia”, complementou o presidente.