Brasília

  – Com a cotação do dólar acima de R$ 3, o Banco Central dificilmente poderá reduzir a taxa de juros básica da economia (Selic), na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que será realizada na quarta-feira que vem. Para bancos e consultorias, a disparada do câmbio, embora não tenha chegado ainda de forma generalizada nos preços aos consumidores, já está afetando o custo da indústria, o que pode comprometer a meta de inflação do próximo ano. Pelo cálculos de analistas, somente na Petrobras o repasse do dólar dará um impacto de 10% a 15% nos preços da gasolina

E sem considerar o aumento dos combustíveis, a projeção de mercado para o IPCA está em 6% para 2002, ou seja, meio ponto percentual acima do limite de 5,5% da meta de inflação estabelecida pelo governo para este ano.

– O problema é saber o quanto essa forte desvalorização do real nos últimos 30 dias será ou não permanente e se afetará a inflação de 2003. O BC não tem um cenário claro porque o mercado de câmbio continua instável – analisa o economista chefe do banco CSFB Garantia, Rodrigo Azevedo.

Azevedo calculou que uma cotação do dólar a R$ 2,90 permite um IPCA abaixo da meta central de 4% em 2003. Mas, nos níveis de hoje, acima de R$ 3,10, a inflação subirá além de 4,5% e dará menos espaço para o BC cortar os juros no curto prazo.

– A opção de baixar os juros abalaria a credibilidade do Banco Central, que já está em baixa. Aumentar a Selic seria prejudicial porque afetaria ainda mais o crescimento da economia e jogaria o país de vez na recessão – diz o diretor da GAP Asset Management, Emanuel Pereira da Silva, que aposta na manutenção da taxa em 18% ao ano sem indicação de viés.