Foto: Arquivo/O Estado

 Henrique Meirelles, do BC: continuidade da política de redução.

O mercado já esperava por isso, mas a grande maioria dos analistas ficou frustrada com a decisão do Copom, anunciada no final da tarde de ontem: a política de redução dos juros foi mantida, mas a Selic caiu apenas 0,5 ponto percentual, de 19% para 18,5% ao ano. Esse é o terceiro corte consecutivo na Selic. A decisão, já esperada pela maior parte dos analistas do mercado financeiro, ocorre mesmo depois de a inflação de setembro ter ficado bem acima da registrada no mês anterior -0,75% contra 0,35%. Ainda assim, uma pequena parte do mercado acreditava em uma redução maior, de 0,75 ponto percentual.

A continuidade da política de redução dos juros foi possível porque a trajetória da inflação para este ano e para o próximo continuam próximas da meta. Na última pesquisa feita pelo BC com analistas, a previsão era de um IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo, do IBGE) de 5,53% neste ano. Para o ano que vem, eles esperam uma inflação de 4,55%.

O IPCA é o indicador usado pelo governo para as metas de inflação, que neste ano é de 4,5%, com uma margem de tolerância de 2,5 pontos percentuais para cima ou para baixo. Embora a meta seja de 4,5%, o BC anunciou em setembro do ano passado que iria perseguir uma taxa de 5,1%. Para 2006, a meta é de 4,5%, com margem de dois pontos percentuais.

Um dos motivos que levou o BC a adotar uma política monetária mais dura por nove meses – entre setembro do ano passado e maio deste ano – foi o temor de que a recuperação econômica provocasse reajustes nos preços por parte da indústria. Essa pressão pode ser maior se a indústria não for capaz de atender toda a demanda.

Mas esse risco foi descartado neste ano, quando a indústria passou a crescer em um ritmo um pouco menor. Em setembro, a produção industrial caiu 2% na comparação com agosto, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Na comparação com setembro do ano passado, o crescimento foi de 0,2%.

Além disso, a preocupação em relação ao petróleo no mercado internacional está menor, já que houve um recuo nos preços. Isso afasta a possibilidade de um novo reajuste nos preços da gasolina no mercado interno.

O Copom divulga a ata da reunião na quinta-feira da próxima semana.

Criticas

O empresário e administrador de empresas Mário César de Camargo, presidente da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf), disse que a decisão do Copom pode ameaçar seriamente o crescimento no primeiro trimestre de 2006. ?Com o inexpressivo recuo de apenas 0,5 ponto percentual, os juros reais do Brasil caem para 11,1% ao ano. São os mais altos do mundo?, disse ele.

Outra crítica ao que considerou ?percentual ínfimo? partiu do presidente da Abraform – Associação Brasileira da Indústria de Formulários, Documentos e Gerenciamento da Informação, Antônio Leopoldo Curi. ?Acreditamos haver condições no atual cenário econômico do País para redução dos juros mais acentuada?, disse.

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, diz que o percentual anunciado ?é mais uma decepção, pois todas as variáveis macroeconômicas alinham-se com as metas?. Ele disse ?não haver explicação para a pífia redução de 19% para 18,5% ao ano?.