Os Correios vão aproveitar a licitação do Banco Postal para entrar em um dos segmentos mais lucrativos do Brasil: o de cartões de crédito. A estatal se prepara para lançar um cartão de crédito próprio, com a marca dos Correios e independente da instituição financeira que vencer a licitação para a prestação dos serviços de correspondente bancário. Outra aposta da ECT é um cartão pré-pago especial, que funcionará como uma espécie de poupança ou cheque de viagem (“traveller check”), em que o usuário deposita determinado valor no cartão e vai gastando na hora de fazer compras, em uma operação de débito.

A estratégia da estatal de atuar nas duas frentes tem um só objetivo: aumentar a rentabilidade dos serviços bancários prestados em suas agências. No segmento de cartão de crédito, por exemplo, hoje o serviço é ofertado no Banco Postal, mas a empresa só é remunerada uma única vez pelo preenchimento da proposta pelo cliente, pois é um mero prestador de serviços para o Bradesco. Ao administrar um cartão próprio, porém, os Correios passam a ter participação em todas as operações, desde a emissão do cartão, passando pelos juros estratosféricos que chegam a ultrapassar 10% por mês e também em todas as operações de uso do cartão em compras.

“Esse segmento no Brasil é um verdadeiro filé. Ainda mais porque uma das coisas mais fáceis no Brasil é montar uma empresa de cartão de crédito”, revelou uma fonte ao Estado. Segundo essa fonte, porém, a melhor opção para os Correios é fazer uma associação com administradoras de cartão, que ficariam responsáveis pela emissão dos cartões e fariam a análise de risco dos clientes. Dessa forma, os custos e os lucros seriam “rachados” entre a estatal e a administradora. “Normalmente é meio a meio”, afirmou a fonte.

AOS POUCOS – Já o cartão pré-pago será um “trunfo” do Banco Postal em pequenos municípios, em que a agência dos Correios é a única opção bancária disponível. Nessas localidades, em vez de o cliente ter de sacar todo o dinheiro do salário de uma só vez ou ter de ir ao banco várias vezes durante o mês, o usuário poderá creditar a quantia desejada no cartão pré-pago e usar o valor desejado aos poucos. “É como se fosse um vale-refeição, que vai reduzir o giro do dinheiro. Vai acabar com a compra ‘fiado’, na caderneta”, explicou a fonte.

Os dois projetos estavam em gestação nos Correios há cerca de quatro anos, mas só agora se chegou a um consenso. Por essa razão, esses produtos foram incluídos no edital de licitação, que está em processo de consulta pública e será alvo de audiência pública no dia 25 de fevereiro. O lançamento desses dois produtos ainda depende de autorização do Banco Central.

A expectativa dos Correios é que a licitação seja concluída até junho. O contrato com o Bradesco termina em 31 de dezembro. Procurados, os Correios informaram que só se manifestarão depois da audiência pública, marcada para o dia 25, que debaterá o assunto.

Atualmente, a exclusividade de uso do Banco Postal está nas mãos do Bradesco, que pagou R$ 200 milhões em 2001 pelo serviço. Além disso, a instituição financeira ainda desembolsa algo em torno de R$ 360 milhões ao ano por participação dos Correios na quantidade de transações realizadas nas agências do Banco Postal O faturamento mínimo estimado para o Bradesco nesse segmento é de R$ 1 bilhão. Por outro lado, os Correios têm um custo de apenas R$ 10 milhões a R$ 20 milhões para levar para os cofres da estatal uma receita, no mínimo, 15 vezes maior ao custo.

15/02/2011 18:53 – NG/EC/BANCO POSTAL/CARTÃO

Banco Postal entrará no segmento de cartões de crédito

Por Karla Mendes

Brasília, 15 (AE) – Os Correios vão aproveitar a licitação do Banco Postal para entrar em um dos segmentos mais lucrativos do Brasil: o de cartões de crédito. A estatal se prepara para lançar um cartão de crédito próprio, com a marca dos Correios e independente da instituição financeira que vencer a licitação para a prestação dos serviços de correspondente bancário. Outra aposta da ECT é um cartão pré-pago especial, que funcionará como uma espécie de poupança ou cheque de viagem (“traveller check”), em que o usuário deposita determinado valor no cartão e vai gastando na hora de fazer compras, em uma operação de débito.

A estratégia da estatal de atuar nas duas frentes tem um só objetivo: aumentar a rentabilidade dos serviços bancários prestados em suas agências. No segmento de cartão de crédito, por exemplo, hoje o serviço é ofertado no Banco Postal, mas a empresa só é remunerada uma única vez pelo preenchimento da proposta pelo cliente, pois é um mero prestador de serviços para o Bradesco. Ao administrar um cartão próprio, porém, os Correios passam a ter participação em todas as operações, desde a emissão do cartão, passando pelos juros estratosféricos que chegam a ultrapassar 10% por mês e também em todas as operações de uso do cartão em compras.

“Esse segmento no Brasil é um verdadeiro filé. Ainda mais porque uma das coisas mais fáceis no Brasil é montar uma empresa de cartão de crédito”, revelou uma fonte ao Estado. Segundo essa fonte, porém, a melhor opção para os Correios é fazer uma associação com administradoras de cartão, que ficariam responsáveis pela emissão dos cartões e fariam a análise de risco dos clientes. Dessa forma, os custos e os lucros seriam “rachados” entre a estatal e a administradora. “Normalmente é meio a meio”, afirmou a fonte.

AOS POUCOS – Já o cartão pré-pago será um “trunfo” do Banco Postal em pequenos municípios, em que a agência dos Correios é a única opção bancária disponível. Nessas localidades, em vez de o cliente ter de sacar todo o dinheiro do salário de uma só vez ou ter de ir ao banco várias vezes durante o mês, o usuário poderá creditar a quantia desejada no cartão pré-pago e usar o valor desejado aos poucos. “É como se fosse um vale-refeição, que vai reduzir o giro do dinheiro. Vai acabar com a compra ‘fiado’, na caderneta”, explicou a fonte.

Os dois projetos estavam em gestação nos Correios há cerca de quatro anos, mas só agora se chegou a um consenso. Por essa razão, esses produtos foram incluídos no edital de licitação, que está em processo de consulta pública e será alvo de audiência pública no dia 25 de fevereiro. O lançamento desses dois produtos ainda depende de autorização do Banco Central.

A expectativa dos Correios é que a licitação seja concluída até junho. O contrato com o Bradesco termina em 31 de dezembro. Procurados, os Correios informaram que só se manifestarão depois da audiência pública, marcada para o dia 25, que debaterá o assunto.

Atualmente, a exclusividade de uso do Banco Postal está nas mãos do Bradesco, que pagou R$ 200 milhões em 2001 pelo serviço. Além disso, a instituição financeira ainda desembolsa algo em torno de R$ 360 milhões ao ano por participação dos Correios na quantidade de transações realizadas nas agências do Banco Postal O faturamento mínimo estimado para o Bradesco nesse segmento é de R$ 1 bilhão. Por outro lado, os Correios têm um custo de apenas R$ 10 milhões a R$ 20 milhões para levar para os cofres da estatal uma receita, no mínimo, 15 vezes maior ao custo.