O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, fez nesta quarta-feira, 16, um discurso em que reconhece o momento de dificuldades por que passa a economia brasileira, mas disse que este momento pode ser de abertura de uma janela de oportunidades. Ele citou alguns setores, como o de infraestrutura, energia, óleo e gás, por exemplo, como detentores de potenciais significativos de crescimento e merecedores de investimentos.

Coutinho, que participou do 1º Congresso Brasileiro da Indústria de Máquinas e Equipamentos organizado pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), anunciou a melhora nas condições do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) para máquinas e equipamentos agrícolas para micro, pequena e média empresas, conforme antecipou o Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado.

“Estamos em um momento desafiador e que combina dificuldades de redução do crescimento com alta das incertezas numa conjuntura difícil”, disse o presidente do BNDES. Segundo Coutinho, são nesses momentos que “nós temos obrigação de ouvir, entender e fazer o que está ao nosso alcance para ultrapassar as dificuldades”.

“Vivemos um momento difícil, em que muitas vezes a sobrevivência das empresas está em jogo e por isso é necessário muita atenção no plano fiscal para que possamos endereçar uma visão de longo prazo, outros ajustes estruturais necessários no plano fiscal para pavimentar a retomada do crescimento”, disse o presidente do banco de fomento.

Ele afirmou ainda que, principalmente, não se pode abandonar um projeto de futuro onde a indústria precisa ter um lugar estratégico para a recuperação e sustentação do crescimento do País.

Coutinho disse que, a partir de um exercício de sua equipe técnica, para atingir o nível médio de renda dos países de economia mais desenvolvida, o Brasil precisaria crescer em média 4,5% ao ano por três décadas. “Uma taxa de crescimento de 4,5%, em média ao ano, requereria sem dúvida nenhuma investimentos mínimos do PIB de em torno de 22%, 23%”, disse.

O presidente do BNDES acredita na possibilidade de a economia brasileira já registrar algum crescimento na margem no ano que vem. “Eu acho que sim (o País pode crescer). Depende, obviamente, da reconstituição das condições fiscais de longo prazo que são uma base importante para a confiança. Então o País pode recuperar o crescimento na margem”, disse.

Alguns economistas do mercado financeiro e do setor produtivo projetam queda de 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano e algo em torno de 1,5% de retração no próximo.