O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, defendeu hoje a criação de um sistema de financiamento de longo prazo na economia brasileira, para que a oferta de crédito com prazos mais extensos não fique concentrada apenas no banco de fomento. Para ele, a ausência desse sistema até o momento é um dos grandes calcanhares-de-aquiles da economia do País.

Durante debate no banco hoje pela manhã, no qual discutiu com especialistas perspectivas de desenvolvimento do País, Coutinho também citou outro calcanhar-de-aquiles do Brasil, ao observar que há poucos investimentos, por parte da iniciativa privada, em pesquisa e desenvolvimento de longo prazo. Para ele, as empresas alocam pouquíssimos recursos em pesquisas de inovação tecnológica, o que deixa as empresas brasileiras para trás em termos de competitividade, em comparação com as estratégias relacionadas a avanços tecnológicos realizados por empresas de outros países.

Coutinho informou que o banco quer ajudar a mudar este cenário e chegou a citar a decisão do BNDES de alocar recursos da ordem de R$ 1,5 bilhão junto à Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) para pesquisas em etanol de segunda geração. “Eu garanto que para esta pesquisa não faltará dinheiro”, disse, acrescentando que ainda tem “esperança por um movimento empresarial pela inovação tecnológica”.

Em sua fala no banco, o executivo também comentou sobre as possibilidades de contágio, na economia brasileira, de crises de âmbito global. Ele lembrou que, em 1979, o País sofreu muito com uma grande crise de déficit de contas correntes em escala mundial e recuo de oferta de crédito internacional – crise esta cuja reverberação se sentiu nos 25 anos seguintes, na análise de Coutinho. “Nós temos um desafio enorme pela frente, para saber como continuar o crescimento, a sustentabilidade do governo brasileiro, no caso de ocorrer um déficit em conta corrente em grande escala”, disse, acrescentando que o Brasil “caiu do cavalo” em 1979, mas não pode deixar que isso ocorra novamente. “Não podemos deixar o déficit em conta corrente expandir enormemente”, acrescentou.

Na prática, Coutinho defendeu em seu discurso que o governo continue a promover aprimoramentos e reformas em suas agendas nos campos fiscal, de previdência e de poupança doméstica. Assim, o País poderia estar mais preparado para enfrentar turbulências globais.