O programa Minha Casa Minha Vida provocou uma explosão na quantidade e valor dos financiamentos da Caixa Econômica Federal. Ontem, o banco anunciou os números do primeiro semestre, que mostram um crescimento de 88% nos valores financiados, em relação ao mesmo período do ano passado, no Paraná. Só nesses seis meses do ano, o banco já financiou R$ 2,161 bilhões, mais do que os R$ 1,535 bilhão emprestados durante todo o ano de 2008, e valor já próximo dos R$ 3,182 bilhões creditados em 2009. A expectativa, este ano, é de que o total ultrapasse os R$ 4 bilhões.

Do total financiado este ano no Estado, R$ 1,246 milhão faz parte do programa Minha Casa Minha Vida. O valor já ultrapassou os R$ 854 milhões disponibilizados em 2009. Desde abril do ano passado, quando o programa foi lançado, quase 35 mil unidades foram disponibilizadas através dessa linha, e há mais 33 mil moradias em análise. A meta do governo federal para o Estado é de 44,2 mil unidades. Em Curitiba, onde a meta é de 12 mil financiamentos, dois terços (8 mil) já foram realizados, e 7,3 mil estão em análise.

De acordo com o superintendente regional da Caixa em Curitiba, Hermínio Basso, a grande quantidade de contratos está causando uma “drástica redução” no déficit habitacional do Estado, que já é um dos mais baixos do País. “O Paraná é um dos líderes na corrida para acabar com o déficit imobiliário. Nos próximos quatro anos, esperamos reduzi-lo em 30% a 40%”, prevê.

Ele também destaca uma mudança de perfil nos mutuários. Pessoas de até 30 anos, por exemplo, já representam 24% dos contratos, e maiores de 46 anos são outros 29%. “Boa parte dessas pessoas não tinha acesso a financiamentos de imóveis, anteriormente. Os mais novos estão iniciando suas famílias, e os mais velhos, saindo do aluguel”, analisa.

Outra mudança importante, segundo Basso, foi o aumento na proporção de famílias com renda entre zero e três salários mínimos. Se, em 2003, elas compunham apenas 6% dos financiamentos, este ano já são 24%. A fatia só é menor que a das famílias que ganham 10 ou mais salários mínimos, que assinam, hoje, 38% dos contratos.

Estabilidade

Basso explica que a meta de R$ 4 bilhões financiados até o final do ano é até conservadora, já que o mercado imobiliário normalmente fica mais aquecido no segundo semestre. Para ele, a explosão tem várias causas, que vão desde a maior estabilidade da economia até a desburocratização na hora do cadastro das construtoras no banco. A medida, diz ele, abriu espaço para empresas menores.

Segundo a gerente regional de Negócios da Construção Civil da Caixa em Curitiba, Suely Molinari, hoje as pessoas têm mais tranquilidade para assumir financiamentos de maior valor e a longo prazo. “A formatação dos empréstimos mudou. Antigamente, a inflação aumentava o valor das parcelas”, lembra, comparando com o sistema atual, no qual as parcelas diminuem ao longo do tempo. A inadimplência nos financiamentos do banco, que já chegou a 18% há 20 anos, está hoje em 1,5%, informa ela.