O Banco Central apresentou nesta quarta-feira (25) as novas projeções para o mercado de crédito em 2015. Na avaliação da autarquia, a expansão deste mercado este ano deve ser de 11%, e não mais de 12% como previa em dezembro. Com a mudança, o BC já projeta uma taxa menor para esse mercado do que a vista no ano passado, de 11,3%. “A evolução das carteiras até agora e as percepções sobre atividade econômica e o próprio mercado de crédito justificam a baixa”, disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel.

A previsão de alta para o segmento de crédito livre em 2015 passou de 7% para 6%, enquanto a do direcionado foi mantida em 16% este ano. Em 2014, houve expansão de 4,7% no caso dos recursos livres e de 19,6% no crédito direcionado. “As mudanças de projeções foram pequenas”, avaliou Maciel.

O técnico disse também que a projeção para a relação crédito/Produto Interno Bruto (PIB) em 2015 foi mantida em 61%. Ele lembrou que a projeção do BC para o crescimento do País será divulgada amanhã no Relatório Trimestral de Inflação, mas já adiantou que esse porcentual deve sofrer revisão após a divulgação do novo PIB, que o IBGE divulgará na próxima sexta-feira.

Bancos

De acordo com o BC, a expansão do estoque de crédito dos bancos privados nacionais em 2015 deve ser menor do que o imaginado inicialmente. Segundo Maciel, esse segmento terá alta de 7% este ano ante estimativa apresentada em dezembro passado, de expansão de 9%. As instituições financeiras privadas nacionais registraram crescimento de 6,4% em 2014.

O BC manteve, porém, a projeção feita três meses atrás tanto para o crescimento da carteira dos bancos públicos em 2015, em 14%, quanto da de bancos privados estrangeiros, em 7%. No ano passado, a expansão desses segmentos foram, respectivamente, de 16,5% e 4,5%.

BNDES

Os financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para empresas cresceram 0,8% de janeiro para fevereiro, somando um total de R$ 599,302 bilhões, informou BC. No primeiro bimestre, a expansão está em 0,7% e, em 12 meses, de 14,2%.

Segundo Maciel, se o câmbio tivesse ficado inalterado em fevereiro, o estoque de crédito do BNDES teria registrado baixa de 0,3% na margem em fevereiro, e não de alta de 0,8%. “Houve um efeito câmbio relevante no estoque de crédito do BNDES”, observou o técnico.

Maciel ressaltou que a carteira do BNDES praticamente determina a evolução do mercado de crédito direcionado para Pessoa Jurídica, que atingiu R$ 815,063 bilhões no mês passado. Em fevereiro sobre janeiro, houve recuo de 5,2% nas linhas de capital de giro (R$ 19,275 bilhões), mas alta de 1% no financiamento ao investimento (R$ 568,440 bilhões) e de 1,8% nas modalidades para o setor rural (R$ 11,587 bilhões) por parte do banco de desenvolvimento.

“A queda de capital de giro está associada ao menor ritmo de expansão da economia”, disse o economista, ressaltando que esse segmento é a modalidade que representa quase 50% do crédito das empresas. Para pessoas físicas, o crédito do BNDES avançou 1,7% em fevereiro, para R$ 44,908 bilhões.