Manaus – Em 2004, houve um aumento médio de quase 16% na área desmatada no sul do Amazonas, que saltou de 6.926 para 8.238 quilômetros quadrados. O dado foi divulgado ontem em Manaus pelo Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) e é fruto de um levantamento inédito realizado em toda a extensão dos 12 municípios que compõem a região: Guajará, Ipixuna, Eirunepé, Envira, Pauini, Boca do Acre, Lábrea, Canutama, Humaitá, Manicoré, Novo Aripuanã e Apuí. O levantamento anual do desmatamento feito pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe) cobre apenas amostras do território e não considera áreas de savana, por exemplo – isso ajuda a explicar o porquê de os dados do Inpe apontarem que a área total desmatada no Amazonas até agosto do ano passado é de apenas 1.054 quilômetros quadrados.

Pelos dados do Inpe, o desmatamento no Amazonas diminuiu 39% entre agosto de 2003 e agosto de 2004, em relação ao mesmo período anterior. Na Amazônia Legal como um todo, houve um aumento de 6% na área desmatada. Mas o estudo do Sipam mostrou que em todos os municípios do sul do Amazonas o desmatamento cresceu. Apenas dois deles, Pauini e Eirunepé, têm uma taxa abaixo da média da região. Os municípios onde a área desmatada mais aumentou foram Canutama (36,55%) e Humaitá (34,52%).

?O sul do Amazonas não faz parte do arco do desmatamento, mas se mostrou um local crítico. Estamos fazendo o mesmo tipo de levantamento para o sul do Pará, a chamada Terra do Meio. O objetivo é refinar os dados do Inpe para dar subsídios às ações de fiscalização e de gestão municipal?, explicou o diretor-executivo do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), Edgar Fagundes Filho.

?O que era feito até agora era um estudo muito geral para a Amazônia. Os gestores municipais não sabiam o que acontecia em florestas primárias e em áreas já ocupadas. Isso é uma informação muito importante para formular políticas públicas?, afirmou o secretário-executivo da Associação Amazonense de Municípios, Luís Antônio Cruz.

Estudo possui imagens de satélite com resolução de 20m

Manaus – O levantamento do Sipam utilizou imagens do satélite Landsat 5. Elas têm resolução de 30 metros, a mesma utilizada pelo Inpe. Porém, o estudo do Sipam foi complementado com imagens do satélite CCD/CBRS, com resolução de 20 metros, e com imagens captadas por um sensor SAR, com resolução de seis metros. O sensor está instalado em uma aeronave, que sobrevoou toda a área dos municípios de Lábrea e Boca do Acre e partes dos municípios de Apuí, Novo Aripuanã e Manicoré.

Os responsáveis pelo desmatamento no sul do Amazonas estão utilizando tecnologia avançada para destruir a floresta. ?É visível nos nossos levantamentos que o pessoal que está grilando terra dispõe de equipamentos sofisticados. Não se pode abrir na floresta uma clareira com formato perfeito de um retângulo cujos lados medem 30 e 20 quilômetros sem usar sensoriamento remoto?, afirma um pesquisador do Sipam. Outra evidência apontada por ele é a existência de grandes áreas desmatadas em locais distantes dos eixos rodoviários. ?A fronteira agropecuária não se movimenta mais de forma linear. E isso só acontece graças ao avanço da tecnologia?, diz.