São Paulo – A desigualdade do Brasil não é novidade, mas uma pesquisa produzida pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio SP), em conjunto com a Tendências Consultoria Integrada, mostra que o abismo entre ricos e pobres é ainda mais assustador quando se leva em conta os hábitos de consumo dos brasileiros.

Os pesquisadores constataram, por exemplo, que a classe A brasileira, com 6,9 milhões de pessoas, gasta com artigos como jóias, bijuterias, sabonetes, brinquedos e jogos R$ 91 milhões por mês. Esse valor é 18,5% maior do que as despesas da classe E (54 milhões de pessoas) com carne bovina. Também é superior ao consumo de arroz e de produtos como móveis, artigos para o lar e eletrodomésticos entre os brasileiros mais pobres.

?O objetivo do estudo não foi avaliar o grau de desigualdade no consumo brasileiro, mas oferecer uma ferramenta mais acurada para pequenos negociantes e empresários planejarem os seus negócios?, afirma Fábio Pina, assessor econômico da Fecomércio SP. ?A idéia foi apresentar quem, o que, onde e quanto se consome no País.?

Entre os achados, os economistas mostram que a despesa total (o equivalente a R$ 3,5 bilhões) das famílias paulistanas com renda superior a 30 salários mínimos mensais é maior do que todo o gasto da Região Norte do País mais o Estado de Alagoas (ou R$ 3,4 bilhões). Essas mesmas famílias paulistanas gastam a cada mês em festas e cerimônias o mesmo que a população de Sergipe consome de arroz, feijão e outros grãos.

A pesquisa da Fecomércio SP, batizada como ProConsumo, abrange 5.560 municípios dos 27 Estados do País. Para produzi-la os economistas usaram dados oficiais das pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) como o Censo, Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) e Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad).

Um dado curioso é que, mesmo na elite brasileira, somos os campeões da desigualdade. O IBGE calcula que a elite econômica brasileira, os ricos de fato, correspondam a 1% da população ou 1,8 milhão de brasileiros. Entre eles há uma camada mais restrita e exclusiva, a dos milionários, medida por padrões de riqueza internacionais. O banco americano Merill Lynch calcula que existam 100 mil brasileiros nessa categoria. Ou seja os milionários nacionais equivalem a cerca de 5% da elite econômica. Essa proporção é quatro vezes inferior à média internacional. Por aqui, a concentração de riqueza é tão grande que mesmo os ricos têm seu abismo de desigualdade.