Foto: Fábio Alexandre

Imóveis: crédito fácil.

O designer de jóias de Curitiba, Raphael Silva, de 28 anos, e sua esposa, Monique Beckert Silva, 27, estão realizando o sonho de comprar um apartamento maior. Os juros baixos e a oportunidade de morar no imóvel atual até que o novo fique pronto foram dois fatores que contribuíram fortemente para a decisão do casal. Este é apenas um exemplo de consumidores que vêm crescendo no mercado imobiliário desde 1997: os jovens com até 30 anos de idade. Uma pesquisa feita pela Caixa Econômica Federal revelou que há 11 anos, as pessoas nessa faixa etária representavam apenas 20% dos financiamentos de imóveis. Em 2007, este número saltou para 36%, sendo que foi maior ainda em 2006, quando representaram 38% dos negócios.

Silva explicou que deu o seu primeiro apartamento (que tinha cerca de 60 metros quadrados) como parte do pagamento do novo (que tem perto de 180 metros e se localiza no bairro Água Verde). ?O primeiro compramos antes de casar, mas agora estamos pensando em ter filhos e precisamos de um local maior?, contou. O restante ele está pagando por meio de financiamento. Silva disse ainda que a ?fuga? do aluguel também contribuiu muito na decisão, já que a construtora deu a oportunidade de o casal morar no apartamento antigo até que o novo ficasse pronto. Mas os juros, na opinião do designer de jóias, foram um dos fatores determinantes na decisão. ?Estamos pagando cerca de 3% de juros, mas há dois anos, por exemplo, era o dobro. O mercado está aquecido, está valendo a pena comprar imóveis?, contou.

E como ?quem casa quer casa?, a designer Bianca Cassilha, de 28 anos, também decidiu ter seu próprio imóvel, aproveitando o cenário positivo de financiamentos e juros e a decisão de ir morar com o namorado. No caso de Bianca, o que mais motivou a sua decisão foi fugir do aluguel. Ela optou por um apartamento ainda na planta, também no bairro Água Verde. ?Moro sozinha há cinco anos e agora o que pago de aluguel é o mesmo valor da parcela do apartamento que será meu. Sem falar que divido com o meu namorado?, contou. Outra vantagem que fez com que a designer optasse por sair do aluguel foi o fato de que a parcela é mais baixa enquanto a construção do imóvel não é finalizada. Na opinião de Bianca, os jovens estão, atualmente, melhor colocados no mercado de trabalho e ganhando mais do que há 11 anos. Ela analisa ainda que comprar imóvel se tornou algo mais próximo dessa faixa etária. ?A compra de imóveis se popularizou nos últimos anos. Antes parecia que comprar um apartamento era coisa de outro mundo, e o valor era mais alto também e aparecia um certo receio. Agora as facilidades dos financiamentos abriram a possibilidade?, disse.

Juros mais baixos e prazos mais longos

As facilidades de crédito, os juros mais baixos, prestações que pesam menos no bolso, financiamentos a perder de vista e, para completar, a valorização dos imóveis. Estes são os principais fatores que motivam para que os jovens invistam mais em imóveis.

Na opinião do gerente regional da Caixa Econômica Federal, Gueber Roberto Laux, a maior parte das pessoas se preocupa mais com o valor da parcela (que em alguns casos chega a ser menor do que um aluguel) e, como comprar imóveis está sendo um bom negócio, não pensam muito no prazo longo. ?Desde 2004, os juros começaram a baixar e neste ano ainda houve um subsídio do FGTS para as pessoas com renda mais baixa. Aliado a isso houve um crescimento no número de empregos e na massa salarial?, analisou. Laux lembrou ainda que a partir de 2006 ficou mais fácil encontrar imóveis a partir de R$ 40, R$ 50 mil, os quais chamam a atenção dos jovens. ?E como o valor do imóvel está subindo, é um bom negócio. Sem falar que quem tem mais de 50 anos dificilmente faz financiamentos?, afirma.

Uma pesquisa realizada pela Hestia Construções e Empreendimentos, (empresa de Curitiba que está há 15 anos no mercado), apontou a mesma tendência da avaliação da Caixa Econômica: no ano passado, 80% do volume total de negócios da Hestia foram com jovens na faixa etária dos 20 aos 32 anos. A maioria são casais sem filhos.

Para o diretor geral da Hestia, Gustavo Selig, a maior parte dos jovens compra imóveis com a perspectiva de estar investindo um bem, um patrimônio que vai valorizar mesmo com o passar dos anos. Selig disse que o público nesta faixa etária é bastante informado e decidido. Aliado a isso está o mercado aquecido, criando boas oportunidades em pouco tempo. ?Hoje temos mais facilidade para a captação de recursos.

Para se ter uma idéia, há cinco anos fazíamos no máximo 24 parcelas. Hoje já se dá 240 meses. Com o mercado aquecido, os jovens não esperam muito para fazer uma proposta, o que acontecia há alguns anos.

Sem falar na quantidade de opções, como financiamentos, boletos bancários, consórcios.?, exemplificou. (MA)

Tendência é a participação aumentar

A Galvão Planejamento Imobiliário e Vendas (de Curitiba) também fez uma pesquisa sobre o público jovem. A avaliação apontou, mais uma vez, a tendência deles investirem cada vez mais em imóveis: 74% das unidades de um prédio do bairro Água Verde foi vendido recentemente para pessoas com até 40 anos de idade. Na faixa etária dos 21 aos 30 anos, a porcentagem foi de 35%.

O diretor da empresa, Gerson Carlos da Silva, disse que o perfil dos jovens que investem em imóveis é de pessoas com mais escolaridade, bem informadas, que moravam com os pais e decidiram poupar para adquirir um imóvel. ?São pessoas com perspectivas de ganhos futuros?, comentou. Ele compartilha da opinião de Laux. ?Antigamente, as pessoas tinham que poupar mais para comprar um imóvel e só conseguiam quando envelheciam, pois a maior parte dos brasileiros não tem a cultura de economizar. Hoje temos boas oportunidades, ninguém precisa esperar?, afirmou.

O vice-presidente de Lançamentos e Comercialização Imobiliária do Sindicato da Habitação e Condomínios do Paraná (Secovi-PR), José Paulo Celles, disse que o maior número de jovens comprando imóveis demonstra a recuperação do segmento da construção civil. ?O que gera benefícios em outras áreas também, como a geração de emprego?, comentou. (MA)