Iglesias (com FHC): crise argentina ficará restrita.

São Paulo (AE) – O presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Enrique Iglesias, garantiu ontem em Tóquio que não existe possibilidade alguma de algum país latino-americano correr o risco de ser contagiado com a crise argentina. “Diferentemente da década perdida (80), quando os países acabavam sendo contagiados, a da Argentina (crise) ficou localizada e restrita a esse país”, disse Iglesias em Tóquio, onde se reuniu com o ministro de Finanças do Japão, Masajuro Shiokawa, a quem comunicou a decisão de realizar a reunião anual do BID de 2005 em Okinawa.

De forma geral, explicou o presidente do organismo multilateral de financiamento, “os países não foram contagiados exceto o Uruguai, que, felizmente, tomou medidas internas e recebeu apoio do FMI”. De acordo com informações on-line do jornais espanhóis, Iglesias teria afirmado ainda que a ajuda significativa concedida ao governo uruguaio – os recursos do FMI BID e Banco Mundial devem somar cerca de US$ 3 bilhões -na semana passada servirá para estabilizar a situação fiscal desse país.

Iglesias confirmou que o BID vai liberar US$ 500 milhões nos próximos meses para o Uruguai, país da região que foi mais afetado com a crise argentina. Outros US$ 1,5 bilhão serão complementados pelo Fundo e o restante pelo Banco Mundial e outras instituições financeiras privadas. O presidente do BID disse acreditar na capacidade argentina para sair da crise, mas, apesar disso, a economia do país este ano deverá apresentar uma forte retração de 10%.

“A Argentina tem todas as condições para reativar a sua economia já no próximo ano, e, com isso, o empobrecimento que afeta hoje mais de 40% da população será circunstancial e não permanente.” Iglesias acrescentou também que o fato de o país atender duas das três exigências do Fundo mostra que a “crise começa a ser superada”. Para ele, a retomada das negociações com os organismos multilaterais de financiamento é uma boa notícia, o q ue permitirá retomar a confiança da comunidade internacional. “Esse é o caminho correto, não conheço outro.”