O “colapso” dos fluxos de exportações fez a crise desembarcar com força também nos países emergentes. No caso específico do Brasil, para piorar, houve redução no estoque de crédito dos bancos internacionais de US$ 100,9 bilhões já nos primeiros momentos que marcaram o aprofundamento da crise, em setembro. Isso afetou sobretudo o financiamento ao comércio exterior. A tendência para os próximos meses é de que o quadro se complique ainda mais.

As constatações são do Banco de Compensações Internacionais (BIS), o banco central dos bancos centrais, com sede na Basileia, Suíça. Para a entidade, os emergentes agora “se unem à desaceleração global”. “O tombo das exportações e do crescimento são claras evidências de quão severa e sincronizada é a desaceleração global”, disse o BIS, em seu relatório trimestral, publicado ontem.

A instituição observou que esse fenômeno ficou claro depois que Cingapura anunciou, em janeiro, que o Produto Interno Bruto (PIB) do último trimestre de 2008 caiu 2,6%. “Foi o primeiro sinal a confirmar o impacto cada vez mais profundo da desaceleração global.” Depois, houve informações igualmente negativas. O PIB da Coreia do Sul caiu 3,4% no mesmo período. Na China, o crescimento passou de 9% para 6,8%.

Um dos principais vetores de transmissão da recessão dos ricos aos emergentes foi o comércio. Com a queda recorde nos PIBs de Estados Unidos, Europa e Japão, a demanda por produtos estrangeiros desabou. O resultado é uma queda nas exportações da Ásia, Europa Central e América Latina. A redução das vendas ainda provocou temores aos países que, nos últimos anos, passaram a depender das exportações para garantir expansão de suas economias. Outro fator que contribuiu para a contaminação foi a falta de linhas de crédito para permitir que os países emergentes continuassem exportando. O Brasil, segundo o BIS, foi um dos países mais afetados.