Com uma variação negativa de 7,8%, a cesta básica de Curitiba foi a que apresentou a maior queda entre as 17 capitais pesquisadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), em março.

O valor total dos alimentos essenciais na cidade, de R$ 210,56, é o oitavo mais alto do País. O levantamento, divulgado ontem, segue a tendência de queda no ano – o acumulado já é de -8,21% – e não difere muito dos índices apresentados nas demais capitais: outras 14 tiveram queda e em outras seis a redução foi maior que 5%.

A banana (-27,01%), o feijão (-17,54%) e a batata (-13,97%) foram os produtos da cesta básica que tiveram maior redução nos preços, na capital paranaense. A carne bovina, que possui o maior peso entre os alimentos essenciais, também foi destaque entre as quedas, com redução de 7,41%. Os aumentos aconteceram apenas com o açúcar (11,9%), o tomate (7,57%) e o óleo de soja (4,71%).

Já nos índices trimestrais, a queda de 8,21% na cesta básica curitibana sofreu influência principalmente do tomate – cujos preços caíram 28,93% – do feijão (-19,83%) e da farinha de trigo (-15,48%).

As maiores altas nos três primeiros meses do ano foram da batata (20,31%), do açúcar (16,53%) e do leite (14,18%). “Há uma tendência generalizada de queda nos produtos”, afirma o economista do Dieese, Sandro Silva.

Silva ressalta que a redução acentuada em Curitiba também foi influenciada por uma mudança na metodologia da pesquisa, que passou a analisar mais estabelecimentos (30, em vez de 16, como antes) e marcas (desde março são três, contra apenas uma nas pesquisas anteriores). Mesmo assim, Silva acredita que a queda continuaria forte na capital mesmo com o método antigo.

Causas

O recuo no valor médio da cesta básica na maioria das capitais pesquisadas pelo Dieese teve como causa predominante a queda dos preços do feijão, da carne bovina e do arroz, itens tradicionais na mesa do brasileiro.

A instituição destacou a importância dos movimentos de declínio, na maioria das capitais, dos preços do óleo de soja, do pão e do tomate, além de citar as altas observadas no valor do açúcar, leite, manteiga e banana.

O feijão mostrou queda em todas as capitais pesquisadas em março, na comparação com fevereiro. Para Silva, boas altas nos preços do produto, acontecidas nos últimos dois anos, levaram a uma explosão na produção, o que agora está derrubando os preços.

No caso da carne bovina, a influência apontada pelo Dieese para a queda foi principalmente da redução do crédito para as exportações, por conta da crise internacional.

O preço do item recuou em 16 capitais em março, na comparação com fevereiro. Em Curitiba, parte da redução decorre da mudança na metodologia – os pesquisadores passaram a verificar os preços de mais dois cortes, além do coxão-mole.

Entre os itens da cesta que mostraram alta em março, o que chamou mais atenção do Dieese foi o açúcar, que avançou em 15 capitais, em virtude da entressafra. “Em abril, as usinas começam a colher e moer a cana, então os preços do produto devem cair”, conclui Silva.